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O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).
Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.
Por meio de diferentes recursos linguísticos, o autor do texto expressa dúvida em relação à redução da intensidade da severidade penal no decorrer dos últimos séculos e ao caráter humanitário atribuído ao afrouxamento dessa severidade.
Resolução comentada
O autor expressa dúvida por meio de 'como se fosse', 'Talvez' e das aspas em 'humanidade'.
A expressão 'como se fosse fenômeno quantitativo' sugere que a visão tradicional é aparente. 'Redução de intensidade? Talvez.' manifesta dúvida, em contraste com 'Mudança de objetivo, certamente'. As aspas em “humanidade” indicam distanciamento irônico quanto ao caráter humanitário atribuído ao afrouxamento.
Análise das alternativas
A) Correta: vários recursos (locução comparativa hipotética, pergunta com 'Talvez', aspas) expressam a dúvida. B) Errada: ignora esses recursos.
Referência: Interpretação de texto: modalização e recursos linguísticos de expressividade.
Resolução comentada do VaiConcursos.