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Cebraspe · Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED/SE) 2026

Questão 47 — Língua Portuguesa: Coesão Referencial — Pronomes Relativos

Língua Portuguesa Coesão Referencial — Pronomes Relativos

Cebraspe 2026

Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED/SE) · Professor de Educação Básica – Área de Atuação: Grupo I – Ensino Fundamental e Ensino Médio – Disciplina: Língua Portuguesa

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto 12A1-I
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

No último período do primeiro parágrafo do texto 12A1-I, o pronome presente na expressão “do qual” tem como referente
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Resolução comentada

Referente do pronome relativo 'do qual'.

Em 'recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual... pode surgir o inesperado', o pronome relativo retoma o termo imediatamente anterior que designa o recurso a ser usado: 'o assunto da falta de assunto'. É dele que, ao escrever, pode surgir o inesperado.

Análise das alternativas

A) 'falta de assunto' é apenas parte do sintagma e o gênero (masculino, 'do qual') indica 'assunto'. B) 'ato de escrever' está dentro da oração relativa, não é o antecedente. C) 'o inesperado' é o sujeito de 'pode surgir'. D) 'gasto' é adjetivo/particípio, não pode ser antecedente.

Referência: Cebraspe – Coesão referencial, pronomes relativos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: E

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito oficial definitivo — Cargo 12