Gabarito disponível
Paciente de 35 anos de idade, do sexo feminino, compareceu ao hospital para consulta médica, apresentando quadro de tosse seca, sibilos, dispneia e opressão torácica. Relatou que os sintomas apareciam e desapareciam no tempo e eram desencadeados com a mudança do clima, ao ficar mais frio, e quando tinha contato com livros velhos. Referiu ser alérgica a aspirina, pois, em uma das crises prévias, havia sido receitado esse medicamento e ela apresentara piora considerável dos sintomas de tosse, dispneia e sibilos, tendo tido que retornar ao pronto-socorro. Disse que, geralmente, quando em crise, faz uso de salbutamol, mas que desta vez esse medicamento não resolveu o problema. A paciente tem antecedentes pessoais de rinossinusite crônica e pólipos nasais, nega outras comorbidades, está em uso de budesonida nasal e faz lavagem nasal. No exame físico, demonstrou bom estado geral, estando anictérica, corada e acianótica; sentada inclinada sobre a mesa, falava frases incompletas e estava um pouco agitada. Sua saturação de oxigênio é de 90% em ar ambiente; frequência respiratória de 25 irpm; frequência cardíaca de 121 bpm; e pressão arterial de 125 mmHg × 90 mmHg. Seu aparelho cardiovascular apresenta ritmo cardíaco regular em dois tempos, com bulhas normofonéticas. Seu aparelho respiratório apresenta sons respiratórios presentes bilateralmente, com sibilos difusos, além de presença de retrações subcostais. A paciente apresentou radiografia de tórax realizada havia 4 dias, a qual não mostrou alterações. O pico de fluxo expiratório realizado na emergência mostrou um valor correspondente a 45% em relação ao predito.
Considerando esse caso clínico hipotético, julgue os itens a seguir.
A piora do quadro com o uso da aspirina explica-se pela inibição da ciclo-oxigenase COX 2 e seu produto a prostaglandina E2, que leva à liberação de histamina, o que gera leucotrienos pelos basófilos.
Resolução comentada
A fisiopatologia da asma exacerbada por AAS foi descrita de forma incorreta.
Na doença respiratória exacerbada por AAS, a aspirina inibe a COX-1, não a COX-2. Isso reduz a PGE2, que normalmente freia mastócitos e eosinófilos, e desvia o metabolismo do ácido araquidônico para a via da 5-lipoxigenase. O resultado é produção excessiva de cisteinil-leucotrienos por mastócitos e eosinófilos, com broncoconstrição. A afirmativa erra a enzima, a cadeia causal (histamina) e a célula envolvida (basófilos).
Análise das alternativas
Certo: incorreto, pela troca de COX-1 por COX-2, pela cadeia causal invertida e pela célula citada. Errado: correto.
Referência: GINA / Diretrizes da SBPT para asma: asma exacerbada por AAS (AERD).
Resolução comentada do VaiConcursos.