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TEXTO 1
Atalhos
Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se nos momentos de afeto, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho.
MEDEIROS, Martha. Atalhos, 2004.(adaptado)
Em “[...] demoramos para perdoar um amigo,” (1º§), há um desvio da modalidade padrão da língua quanto à regência verbal. Em que opção isso também ocorre?
Resolução comentada
Em 'Preferimos ... do que ...', o verbo preferir foi usado com regência inadequada.
O verbo 'preferir' pede objeto direto e indireto com 'a': 'preferir algo a algo'. A construção 'preferimos X do que Y' foge da norma padrão. Por isso a opção B apresenta desvio de regência.
Análise das alternativas
A) Correta: 'necessitar de' está de acordo com a norma. C) Correta: 'ajudar a quem' é uso aceito. D) Correta: 'prevenir alguém de algo' está de acordo com a norma. E) Correta: 'desagradar à família' está de acordo com a norma, pois desagradar exige 'a'.
Referência: Regência verbal: verbo preferir.
Resolução comentada do VaiConcursos.