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Diretoria de Ensino da Marinha · Marinha do Brasil 2011

Questão 19 — Língua Portuguesa: Polifonia e Intertextualidade

Língua Portuguesa Polifonia e Intertextualidade

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Escrever

Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.

Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.

Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a "coisa" vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.

Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.

(LISPECTOR, Clarice. In: A descoberta do mundo, Rio de Janeiro:Rocco, 1999. p. 134.)

[...] para o escritor, a língua não é uma mina de riquezas ou um repertório de possibilidades: a língua é insuficiência e resistência.[...]. (PERRONE-MOISÉS, Leyla. Lição de casa. In: BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, 2004. p. 65.)

Que opção, baseada no texto II, apresenta a mesma tese argumentativa de Perrone-Moisés?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Perrone-Moisés vê a língua como insuficiência, e isso se liga a "reproduzir o irreproduzível".

Se a língua é insuficiência e resistência, o escritor luta para dizer o que as palavras mal alcançam. Em Clarice, "procurar reproduzir o irreproduzível" expressa essa mesma tese: a linguagem não dá conta do que se quer dizer.

Análise das alternativas

A) Errada: expressa saudade da dor de escrever, não a limitação da língua. B) Errada: destaca o poder salvador da escrita. D) Errada: fala da espontaneidade da inspiração. E) Errada: refere-se à dependência do tempo, sem tratar da insuficiência da língua.

Referência: Perrone-Moisés, Lição de casa; Clarice Lispector.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — página 1, coluna AMARELA