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Colégio Militar de Juiz de Fora — Seção Técnica de Ensino · Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) 2015

Questão 08 — Língua Portuguesa: Adjunto Adnominal

Língua Portuguesa Adjunto Adnominal

Colégio Militar de Juiz de Fora — Seção Técnica de Ensino 2015 Fundamental

Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio — Língua Portuguesa · Caderno Prova 1

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat

Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes

1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.

Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.

Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.

Texto-base:
TEXTO III

Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade

1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.

20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.

ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião

Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.

Dois trechos citados: “Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante” (linha 1, texto I – O direito de ser diferente) e “Todo ser humano é um estranho/ ímpar” (v.21 e 22, texto III – Igual-desigual), com as palavras Nenhum e Todo sublinhadas.

Os vocábulos sublinhados nos trechos acima, adjuntos adnominais, funcionam nos fragmentos como:
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Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito da Prova de Língua Portuguesa — página 2