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Colégio Militar de Juiz de Fora — Seção Técnica de Ensino · Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) 2015

Questão 09 — Língua Portuguesa: Adjunto Adverbial

Língua Portuguesa Adjunto Adverbial

Colégio Militar de Juiz de Fora — Seção Técnica de Ensino 2015 Fundamental

Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio — Língua Portuguesa · Caderno Prova 1

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther

1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.

Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.

'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.

60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."

Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado

Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.

É natural que substantivos próprios indicativos de localidades (países, regiões, cidades) revelem a presença de adjuntos adverbiais de lugar na estrutura sintática dos períodos. Essa “regra” é descumprida no trecho abaixo, retirado do texto II - De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

“Pelo Canadá” é agente da passiva, não adjunto adverbial de lugar.

Em “foi rejeitado pelo Canadá”, “Canadá” designa a autoridade que rejeitou o pedido, ou seja, o agente da passiva. Não indica lugar, ao contrário das outras alternativas.

Análise das alternativas

A) “no Mediterrâneo” indica o lugar onde ocorreram as mortes. C) “em Istambul” indica onde estavam. D) “em Damasco” indica onde moravam. Todos são adjuntos adverbiais de lugar.

Referência: Sintaxe: adjunto adverbial de lugar x agente da passiva.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito da Prova de Língua Portuguesa — página 2