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Velha chácara
A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)
A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...
– Mas o menino ainda existe.
O poema apresenta uma diferença entre
I. o passado (a infância) e o presente (a velhice) vivido pelo eu lírico.
II. um espaço puramente natural (o campo) e outro sociofamiliar (a casa).
III. o que é desfeito pelo tempo (a casa) e o que ele não apaga (a lembrança).
IV. a chácara (espaço ideal) e a cidade (espaço arrasado pela usura).
Estão corretas apenas:
Resolução comentada
Estão corretas I, II e III; IV é incorreta.
I está certa: contrasta a infância e a velhice, com 'mais de cinquenta anos'. II está certa: o riacho é o espaço natural que permanece, e a casa é o espaço sociofamiliar que desapareceu. III está certa: o tempo e a usura destroem a casa, mas o menino, ou seja, a memória, ainda existe. IV está errada: o poema não apresenta a cidade como espaço arrasado, e sim a chácara destruída pela usura.
Análise das alternativas
B, D e E estão erradas porque incluem IV. C está errada porque exclui I, que é correta.
Referência: Manuel Bandeira, Lira dos cinquentanos; memória e passagem do tempo.
Resolução comentada do VaiConcursos.