Gabarito disponível
Texto-base:
Leia os textos I, II e III e assinale uma única alternativa em cada uma das questões a seguir.
TEXTO III
Negrinho do pastoreio
1 Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio
Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem
malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
5 cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da
fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No
caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para
descansar e ... acabou dormindo.
10 Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande
tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-
los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
– 1, 2, 3, 4... 29...29?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
15 resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou
furioso:
– O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros
trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
20 Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já
era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu
novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
25 recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
– Onde está o cavalo?
– Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
– Mas o quê, garoto?
– Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
30 senhor.
– Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre
um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um
suspiro e morreu.
35 No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé,
sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a
imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
– Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
40 necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para
onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as
pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
45 Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. É comum, por exemplo,
ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares
terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tornou uma espécie de
50 anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto III
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
No que diz respeito ao texto III, pode-se dizer que:
Leia os textos I, II e III e assinale uma única alternativa em cada uma das questões a seguir.
TEXTO III
Negrinho do pastoreio
1 Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio
Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem
malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
5 cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da
fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No
caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para
descansar e ... acabou dormindo.
10 Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande
tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-
los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
– 1, 2, 3, 4... 29...29?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
15 resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou
furioso:
– O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros
trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
20 Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já
era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu
novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
25 recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
– Onde está o cavalo?
– Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
– Mas o quê, garoto?
– Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
30 senhor.
– Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre
um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um
suspiro e morreu.
35 No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé,
sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a
imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
– Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
40 necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para
onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as
pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
45 Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. É comum, por exemplo,
ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares
terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tornou uma espécie de
50 anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto III
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
No que diz respeito ao texto III, pode-se dizer que:
Resolução comentada
Para muitos, o negrinho representa o bem.
O final do texto diz que se acredita que o negrinho virou um “anjo bom” a quem as pessoas recorrem em seus pedidos, representando o bem.
Análise das alternativas
A) Quem chicoteou foi o estancieiro, não o negrinho. B) Os adjetivos caracterizam suficientemente o estancieiro. C) A santa aparece apenas no final, não durante toda a narrativa.
Referência: Texto III, linhas 45-50.
Resolução comentada do VaiConcursos.