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Colégio Militar de Brasília (CMB) 2018

Questão 18 — Língua Portuguesa: Intertextualidade — Comparação entre Textos

Língua Portuguesa Intertextualidade — Comparação entre Textos

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Texto-base:
TEXTO 3
Infográfico “Dicas básicas” com ícones e seis dicas: Respeite os horários de silêncio estabelecidos pelo condomínio (relógio); Evite andar de salto alto dentro de casa (sapato de salto); Evite falar ou brigar em volume alto (duas pessoas discutindo); O porteiro é um funcionário do condomínio. Não peça para que ele abandone o posto dele para fazer alguma entrega (porteiro); Ao usar o salão de festas, respeite o limite de pessoas e entregue o local em ordem após a comemoração (grupo de pessoas e notas musicais); Animais devem circular sempre de coleira e guia (cachorro na guia).
Disponível em: http://condominiowestpark2014.blogspot.com/2014/08/regras-basicas-para-convivencia-em-um.html. Acesso em: 17 set. 2018.

Em relação aos aspectos comuns e/ou divergentes entre os textos 1, 2 e 3, marque a única opção correta.
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Gabarito: E

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito de Língua Portuguesa — 6º ano — questão 18