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Colégio Militar de Santa Maria 2018

Questão 04 — Língua Portuguesa: Conjunções — Valor Semântico

Língua Portuguesa Conjunções — Valor Semântico

Colégio Militar de Santa Maria 2018 Fundamental

Colégio Militar de Santa Maria · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
Ilustração colorida de dezenas de super-heróis de quadrinhos reunidos, entre eles Capitão América com escudo, Hulk, Homem de Ferro, Thor, Homem-Aranha, Wolverine e Demolidor.
Fonte: http://disneyandmore.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018.

Herói na contemporaneidade

Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis.
Recorro ao historiador de mitologia Joseph Campbell, que diferenciava as duas figuras públicas: o herói (figura pública antiga) e a celebridade (a figura pública moderna). Enquanto a celebridade se populariza por viver para si mesma, o herói assim se tornava por viver servindo sua comunidade. Todo super-herói deve atravessar alguma via-crúcis. Gandhi, líder pacifista indiano, disse que, quanto maior nosso sacrifício, maior será nossa conquista. Como Hércules, como Batman.
Toda história em quadrinhos traz em si alguma coisa de industrial e marginal, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Os filmes de super-herói, ainda que transpondo essa cultura para a grande e famigerada indústria, realizam uma outra façanha, que provavelmente sem eles não ocorreria: a formação de novas mitologias reafirmando os mesmos ideais heroicos da Antiguidade para o homem moderno. O cineasta italiano Fellini afirmou uma vez que Stan Lee, o criador da editora Marvel e de diversos heróis populares, era o Homero dos quadrinhos.
Toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social. Homem-Aranha é um nerd, Hulk é um monstro amaldiçoado, Demolidor é um deficiente, os X-Men são indivíduos excepcionais, Batman é um órfão, Super-Homem é um alienígena expatriado. São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humana. Não se ama um herói pelos seus poderes, mas pela sua dor. Nossos olhos podem até se voltar a eles por suas habilidades fantásticas, mas é na humanidade que eles crescem dentro do gosto popular. Os super-heróis que não sofrem ou simplesmente trabalham para o sistema vigente tendem a se tornar meio bobos, como o Tocha-Humana ou o Capitão América.
Hulk e Homem-Aranha são seres que criticam a inconsequência da ciência, com sua energia atômica e suas experiências genéticas. Os X-Men nos advertem para a educação inclusiva. Super-Homem é aquele que mais se aproxima de Jesus Cristo, e por isso talvez seja o mais popular de todos, em seu sacrifício solitário em defesa dos seres humanos, mas também tem algo de Aquiles, com seu calcanhar que é a kriptonita. Humano e super-herói, como Gandhi.
Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. Eu raramente as leio hoje em dia, mas quando assisto a bons filmes de super-heróis, eu lembro que todos temos um lado ingênuo e bom, que pode ser capaz de suportar a dor da solidão por um princípio.

CHUÍ, Fernando. Disponível em: http://fernandochui.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018. (Adaptado)

Glossário:
Via-crúcis: Série de 14 quadros que representam a caminhada de Jesus carregando a cruz e retratam seu sofrimento nas horas que antecederam seu julgamento e sua execução. [Por Extensão] Conjunto de experiências dolorosas, terríveis, dramáticas; martírio, tormento. Etimologia (origem da palavra via-crúcis): Do latim via Crucis, "caminho da cruz".

As conjunções e as locuções conjuntivas são mediadoras de sentidos produzidos em textos. Nos períodos transcritos abaixo, os termos sublinhados ajudam a conduzir o conteúdo enunciado para o campo indicado em negrito. Essa indicação só NÃO está correta em:
Selecione uma alternativa

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Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito da Prova de Língua Portuguesa — 1º ano Ensino Médio