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TEXTO 2
Artur torna-se rei
Quando morreu o rei Uter Pendragon, Artur tinha dezesseis anos e continuava vivendo
com Antor, que o criava como se fosse seu filho. O rei ficou sem herdeiro, e uma terra sem senhor não
vale grande coisa! Os grão-senhores, como não conseguiram chegar a um acordo, foram aconselhar-
se com Merlim.
5 “Diga-nos quem devemos escolher. Confiamos em você.”
Merlim respondeu, depois de muito pensar:
“Logo será Natal. Reúnam para essa festa todos os nobres do reino e esperem o sinal que
Deus lhes mandará.”
Assim, na véspera do Natal, todos se reuniram em Logres, sob a hospitalidade do
10 arcebispo. Antor também foi, com Artur e com o filho, Keu. Todos esperavam o sinal que Merlim
anunciara. Ora, na manhã do Natal, ao saírem da igreja, todos viram, diante do portal, uma grande
pedra quadrada. Vinda de onde? Ninguém sabia! Uns diziam: “Do céu!”; outros: “Do diabo!”.
O arcebispo se aproximou. Havia uma espada cravada na pedra até a guarda, e o botão do
seu punho trazia gravado, em letras douradas: “Quem for capaz de tirar a espada será rei”. Todos os
15 nobres começaram a discutir para decidir quem seria o primeiro a tentar, pois parecia ser muito fácil!
Logo perderam a alegria: nenhum deles conseguiu tirar a espada.
Os adolescentes, zombeteiros, olhavam para os mais velhos.
“Por que nós também não tentamos?”, sugeriu Artur.
Deram-lhes permissão. Artur adiantou-se até a pedra, agarrou a espada e puxou-a. Ela saiu
20 com a maior facilidade, como se estivesse enfiada numa porção de manteiga! Todos ficaram de boca
aberta. A lâmina da espada brilhava como um punhado de velas acesas. E trazia gravado seu nome:
Excalibur.
Os grão-senhores, após se recuperarem de sua surpresa, resmungaram: seria possível que aquele
rapaz, que ainda nem era cavaleiro e cujo nascimento era obscuro, fosse o rei designado pelo céu? [...]
25 Aconselhado por Merlim – que permanecia a seu lado –, Artur aceitou. Conduziu-se de
maneira tão generosa e leal que conquistou a estima de todos os grandes barões, os quais não puderam
encontrar nele o menor defeito e tiveram de se submeter.
Merlim revelou-lhes então o segredo de seu nascimento e que aqueles grão-senhores
haviam eleito, sem saber, o filho de seu falecido rei. A satisfação de todos foi enorme.
30 Artur foi coroado rei na manhã de Pentecostes. [...] Empunhando a espada Excalibur com
as duas mãos unidas, ergueu-a e jurou fazer reinar na terra a paz, a lealdade e a justiça, na medida de
suas forças.
(Com adaptações) MIRANDE, Jacqueline. Contos e lendas dos cavaleiros da Távola Redonda. São Paulo: Schwarcz, 2009.
A vírgula é um importante instrumento de delimitação dos elementos de uma oração. Além disso, seu emprego pode provocar efeitos de sentido. A esse respeito, marque a única alternativa em que a exclusão da (s) vírgula (s) altera o sentido original do excerto do Texto 2.
Resolução comentada
Sem as vírgulas em "Os adolescentes, zombeteiros, olhavam", o sentido passa a restringir o grupo.
As vírgulas isolam "zombeteiros" como característica de todos os adolescentes (valor explicativo). Sem elas, a leitura seria restritiva: apenas os adolescentes zombeteiros olhavam para os mais velhos, o que sugere haver outros que não eram. O sentido muda.
Análise das alternativas
A) A vírgula antes de "e" é facultativa. B) e D) A vírgula isola adjunto adverbial deslocado; retirá-la não muda o sentido. E) A vírgula separa o adjunto final; sem ela o sentido se mantém.
Referência: Emprego da vírgula: adjetivo explicativo x restritivo.
Resolução comentada do VaiConcursos.