Sem padrão de resposta — pratique a escrita
Texto-base:
TEXTO 1
Melhorando as relações
Tania Zagury
1 Jovens queixarem-se do que chamam de conservadorismo dos pais, e nem
2 sempre de forma muito delicada, é bem comum.
3 Realmente, certas aprendizagens que fazemos na infância acabam se
4 transformando em uma espécie de “segunda pele” na vida adulta. O que não quer dizer
5 que todas elas são, necessariamente, ultrapassadas ou erradas. Embora algumas sejam
6 repetidas mecanicamente e não se justifiquem nos dias atuais, muitas representam
7 posturas que queremos realmente preservar. Crianças pequenas dificilmente criticam as
8 regras da família, mas, à medida em que crescem, essa aceitação diminui.
9 Atualmente, as contestações começam bem mais cedo: tanto pela liberdade que
10 os pais dão, como pela ação das mídias. Ainda assim, questionamentos devem ser vistos
11 como normais nas relações e não devem ser confundidos com desrespeito, nem com
12 agressão: simplesmente porque nem sempre o são. E isso vale para qualquer tipo de
13 relacionamento, porque conflitos mal resolvidos podem causar rupturas insuperáveis.
14 Mas, não precisa ser assim, basta que cada parte tenha boa vontade e queira mesmo o
15 entendimento. Não há dúvida, porém, de que o caminho é tortuoso e demanda
16 habilidade.
17 Espera-se que essa habilidade negociadora seja dos adultos, na relação entre pais
18 e filhos. Mas, não creio que deva ser só dos adultos. Os pais devem definir, como ponto
19 de partida, que qualquer reivindicação tem de ser feita com polidez. E quem deseja
20 mudanças tem de compreender que só muda quem quer mudar – e quem está
21 convencido de que a mudança lhe será benéfica. É preciso saber, também, que cabe a
22 quem está incomodado dar o primeiro passo; e não a quem está achando tudo ótimo. E o
23 que muitos não percebem é que nem sempre os dois lados querem mudar.
24 A resistência à mudança surge daí. Além disso, a tendência do ser humano é
25 sempre achar que o outro está sempre errado e, por isso, cada um luta para que o outro
26 mude. Dá para entender porque tanto desentendimento.
27 No caso dos pais e filhos, a iniciativa poderia, perfeitamente, partir dos jovens.
28 No entanto, embora adolescentes, em geral, considerem-se supermaduros, dificilmente
29 agem de forma a contribuir para a paz familiar. Parecem acreditar que os pais sempre
30 estão errados, cabendo, pois, aos filhos somente reclamar ou ficar de cara feia. Ocorre
31 que, a partir dos doze anos, os jovens já têm capacidade de análise e podem,
32 perfeitamente, identificar causas de desentendimentos, bem como tentar atenuar
33 conflitos. Por outro lado, pais que desejam minorar brigas precisam ter equilíbrio,
34 paciência e trabalhar no sentido de dar responsabilidades aos filhos desde cedo,
35 compreendendo também que, embora algumas atitudes soem como desrespeito (e, às
36 vezes, são mesmo!), sempre se pode ensinar e aprender a conversar e a reivindicar
37 adequadamente.
38 A postura liberal gerou espaços para os filhos explicitarem desejos e objetivos,
39 portanto, nada impede que a iniciativa parta deles. Quem quer mudanças, porém, deve
40 conversar de forma educada – e argumentar embasadamente. Quanto aos adultos, cabe-
41 lhes acreditar na capacidade dos jovens e, assim, atuar de forma a não lhes retardar
42 atitudes maduras.
43 Resumindo: quem deseja mudanças deve lutar por elas, mas, para ter sucesso, a
44 batalha deve se revestir de educação, reflexão e autocrítica.
Zagury, Tania. Melhorando as relações. Fonte: Família: Construção e Reconstrução. Belo Horizonte: Escola de Pais do Brasil. Seccional Belo Horizonte (2016/17). 46º Seminário.
Texto adaptado.
Tania Zagury é filósofa, professora, escritora e conferencista. Escreveu aproximadamente 34 livros os quais foram publicados em nove países. Seu interesse pelo ensino iniciou aos 11 anos, quando produziu uma cartilha para alfabetizar sua irmã de 5 anos. A grande paixão de sua vida sempre foi o ensino público e gratuito.
Texto-base:
TEXTO 2

Fonte: http://www.revistas.unilab.edu.br/index. php/mandinga/article/view/48
Acesso em: 08/09/2020
PROPOSTA DE REDAÇÃO
Leia o texto abaixo, extraído do primeiro capítulo de “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry. Antes, conheça um pouco do autor da obra.
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.
TEXTO 3
I
Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, Histórias Vividas, uma impressionante gravura. Ela representava uma jiboia engolindo um animal.
Dizia o livro: “As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão.”
Refleti muito sobre as aventuras da selva e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1. Ele era assim:

Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes dava medo.
Responderam-me: “Por que um chapéu daria medo?”
Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jiboia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jiboia, a fim de que as pessoas grandes pudessem entender melhor. Elas têm sempre necessidade de explicações detalhadas. Meu desenho número 2 era assim:

As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas e a dedicar-me de preferência à geografia, à história, à matemática e à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma promissora carreira de pintor. Fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, ficar toda hora explicando...
[...]
Convivi com as pessoas grandes. Vi-as bem de perto. Isso não melhorou muito a minha antiga opinião.
Quando encontrava uma que me parecia um pouco esclarecida, fazia a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era na verdade uma pessoa inteligente. Mas a resposta era sempre a mesma: “é um chapéu”. Então eu não falava nem de jiboias, nem de florestas, nem de estrelas. Colocava-me no seu nível. Falava de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável.
SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015.
TEXTO 4

Disponível em: https://peramblogando2.wordpress.com/2009/07/12/tirinha-de-domingo-mafalda/
A partir da leitura dos textos 1, 2, 3 e 4 e com base nos conhecimentos construídos durante sua formação escolar, redija um texto dissertativo-argumentativo, a respeito da temática: “CONFLITO ENTRE GERAÇÕES”.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos em defesa de seu ponto de vista.
TEXTO 1
Melhorando as relações
Tania Zagury
1 Jovens queixarem-se do que chamam de conservadorismo dos pais, e nem
2 sempre de forma muito delicada, é bem comum.
3 Realmente, certas aprendizagens que fazemos na infância acabam se
4 transformando em uma espécie de “segunda pele” na vida adulta. O que não quer dizer
5 que todas elas são, necessariamente, ultrapassadas ou erradas. Embora algumas sejam
6 repetidas mecanicamente e não se justifiquem nos dias atuais, muitas representam
7 posturas que queremos realmente preservar. Crianças pequenas dificilmente criticam as
8 regras da família, mas, à medida em que crescem, essa aceitação diminui.
9 Atualmente, as contestações começam bem mais cedo: tanto pela liberdade que
10 os pais dão, como pela ação das mídias. Ainda assim, questionamentos devem ser vistos
11 como normais nas relações e não devem ser confundidos com desrespeito, nem com
12 agressão: simplesmente porque nem sempre o são. E isso vale para qualquer tipo de
13 relacionamento, porque conflitos mal resolvidos podem causar rupturas insuperáveis.
14 Mas, não precisa ser assim, basta que cada parte tenha boa vontade e queira mesmo o
15 entendimento. Não há dúvida, porém, de que o caminho é tortuoso e demanda
16 habilidade.
17 Espera-se que essa habilidade negociadora seja dos adultos, na relação entre pais
18 e filhos. Mas, não creio que deva ser só dos adultos. Os pais devem definir, como ponto
19 de partida, que qualquer reivindicação tem de ser feita com polidez. E quem deseja
20 mudanças tem de compreender que só muda quem quer mudar – e quem está
21 convencido de que a mudança lhe será benéfica. É preciso saber, também, que cabe a
22 quem está incomodado dar o primeiro passo; e não a quem está achando tudo ótimo. E o
23 que muitos não percebem é que nem sempre os dois lados querem mudar.
24 A resistência à mudança surge daí. Além disso, a tendência do ser humano é
25 sempre achar que o outro está sempre errado e, por isso, cada um luta para que o outro
26 mude. Dá para entender porque tanto desentendimento.
27 No caso dos pais e filhos, a iniciativa poderia, perfeitamente, partir dos jovens.
28 No entanto, embora adolescentes, em geral, considerem-se supermaduros, dificilmente
29 agem de forma a contribuir para a paz familiar. Parecem acreditar que os pais sempre
30 estão errados, cabendo, pois, aos filhos somente reclamar ou ficar de cara feia. Ocorre
31 que, a partir dos doze anos, os jovens já têm capacidade de análise e podem,
32 perfeitamente, identificar causas de desentendimentos, bem como tentar atenuar
33 conflitos. Por outro lado, pais que desejam minorar brigas precisam ter equilíbrio,
34 paciência e trabalhar no sentido de dar responsabilidades aos filhos desde cedo,
35 compreendendo também que, embora algumas atitudes soem como desrespeito (e, às
36 vezes, são mesmo!), sempre se pode ensinar e aprender a conversar e a reivindicar
37 adequadamente.
38 A postura liberal gerou espaços para os filhos explicitarem desejos e objetivos,
39 portanto, nada impede que a iniciativa parta deles. Quem quer mudanças, porém, deve
40 conversar de forma educada – e argumentar embasadamente. Quanto aos adultos, cabe-
41 lhes acreditar na capacidade dos jovens e, assim, atuar de forma a não lhes retardar
42 atitudes maduras.
43 Resumindo: quem deseja mudanças deve lutar por elas, mas, para ter sucesso, a
44 batalha deve se revestir de educação, reflexão e autocrítica.
Zagury, Tania. Melhorando as relações. Fonte: Família: Construção e Reconstrução. Belo Horizonte: Escola de Pais do Brasil. Seccional Belo Horizonte (2016/17). 46º Seminário.
Texto adaptado.
Tania Zagury é filósofa, professora, escritora e conferencista. Escreveu aproximadamente 34 livros os quais foram publicados em nove países. Seu interesse pelo ensino iniciou aos 11 anos, quando produziu uma cartilha para alfabetizar sua irmã de 5 anos. A grande paixão de sua vida sempre foi o ensino público e gratuito.
Texto-base:
TEXTO 2
Fonte: http://www.revistas.unilab.edu.br/index. php/mandinga/article/view/48
Acesso em: 08/09/2020
PROPOSTA DE REDAÇÃO
Leia o texto abaixo, extraído do primeiro capítulo de “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry. Antes, conheça um pouco do autor da obra.
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.
TEXTO 3
I
Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, Histórias Vividas, uma impressionante gravura. Ela representava uma jiboia engolindo um animal.
Dizia o livro: “As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão.”
Refleti muito sobre as aventuras da selva e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1. Ele era assim:
Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes dava medo.
Responderam-me: “Por que um chapéu daria medo?”
Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jiboia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jiboia, a fim de que as pessoas grandes pudessem entender melhor. Elas têm sempre necessidade de explicações detalhadas. Meu desenho número 2 era assim:
As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas e a dedicar-me de preferência à geografia, à história, à matemática e à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma promissora carreira de pintor. Fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, ficar toda hora explicando...
[...]
Convivi com as pessoas grandes. Vi-as bem de perto. Isso não melhorou muito a minha antiga opinião.
Quando encontrava uma que me parecia um pouco esclarecida, fazia a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era na verdade uma pessoa inteligente. Mas a resposta era sempre a mesma: “é um chapéu”. Então eu não falava nem de jiboias, nem de florestas, nem de estrelas. Colocava-me no seu nível. Falava de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável.
SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015.
TEXTO 4
Disponível em: https://peramblogando2.wordpress.com/2009/07/12/tirinha-de-domingo-mafalda/
A partir da leitura dos textos 1, 2, 3 e 4 e com base nos conhecimentos construídos durante sua formação escolar, redija um texto dissertativo-argumentativo, a respeito da temática: “CONFLITO ENTRE GERAÇÕES”.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos em defesa de seu ponto de vista.
Orientações:
1. Dê título à sua produção.
2. Utilize a norma-padrão na confecção de seu texto.
3. Não copie trechos dos textos apresentados.
4. Faça letra legível.
5. A prova contém uma folha para RASCUNHO e outra para seu texto DEFINITIVO.
6. Use caneta esferográfica azul ou preta.
7. Escreva um texto de 15 a 30 linhas.
8. NÃO UTILIZE SEU NOME OU QUALQUER MARCA DE IDENTIFICAÇÃO, PARA QUE SUA REDAÇÃO NÃO SEJA ANULADA.
ATENÇÃO ÀS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DE UM TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO!
NÃO SE ESQUEÇA DE TRANSCREVER SEU TEXTO PARA A FOLHA DE REDAÇÃO