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Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) · Colégio Militar de Belo Horizonte 2020

Questão 13 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as declarações a seguir sobre o texto 1.
( ) A raposa não admira os homens porque eles possuem fuzis.
( ) Segundo a raposa, os homens não criam, com facilidade, laços entre os amigos.
( ) Somente criando laços é possível conhecer, profundamente, um ao outro.
( ) Ao criar laços, as pessoas necessitam uma das outras e se tornam possessivas.
( ) Os laços fazem-nos admirar aquilo de que não gostamos, o que nos faz perder a identidade.
Assinale a opção correspondente à sequência correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

V, V, V, F, F.

1) Verdadeiro: ela considera assustador que os homens tenham fuzis e cacem. 2) Verdadeiro: como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos. 3) Verdadeiro: só se conhece bem o que se cativou. 4) Falso: a necessidade mútua não é apresentada como posse. 5) Falso: o texto não fala em admirar o que não se gosta nem em perder a identidade.

Análise das alternativas

As demais sequências erram ao marcar F nas afirmações 1, 2 ou 3, ou V nas 4 ou 5.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito das provas de Matemática e Língua Portuguesa — 6º Ano EF