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Colégio Militar de São Paulo (DECEx – DEPA) · Colégio Militar de São Paulo 2021

Questão 13 — Língua Portuguesa: Foco Narrativo

Língua Portuguesa Foco Narrativo

Colégio Militar de São Paulo (DECEx – DEPA) 2021 Fundamental

Colégio Militar de São Paulo · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental — Exame Intelectual de Língua Portuguesa e Matemática

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

A Lenda da Concha

01 Há muito tempo que não chovia naquela terra. Estava tão quente e seco que as flores ficaram
murchas, a erva tornara-se castanha e até mesmo as árvores grandes e fortes estavam morrendo. A
água evaporou-se nos rios, os poços estavam secos e as fontes pararam de jorrar. As vacas, os cães,
os cavalos, os pássaros e todas as pessoas tinham muita sede. Todos se sentiam incomodados e
05 doentes. Nessa terra, havia uma menina cuja mãe ficara muito doente.
– Oh! Se eu pudesse encontrar um pouco de água para a minha mãe! Tenho a certeza de que
ela ficaria bem outra vez. Preciso encontrar água!
A menina pegou então uma concha de lata e partiu à procura de água. Encontrou uma
pequenina fonte no alto da encosta de uma montanha. A fonte estava quase seca. A água pingava,
10 pingava muito devagar por debaixo da pedra. A menina pegou cuidadosamente na concha e tentou
colher algumas gotas. Esperou muito, muito tempo até que a concha ficasse cheia de água. Começou
então a descer a montanha segurando a concha com muita atenção, porque não queria derramar
uma gota sequer.
Mas, no caminho, encontrou um pobre cãozinho que mal se arrastava. Arfava sofregamente
15 à procura de ar e tinha a língua pendurada de tão seca! – Oh, pobre cãozinho! – disse a menina. –
Está com muita sede. Eu não posso te deixar sem um pouco de água. Se te der só um pouquinho,
ainda sobrará um pouco para a minha mãe!
Então a menina pôs um pouco de água em sua mão e deu de beber ao cão. Ele bebeu a água
bem depressa e se sentiu tão bem que pulou e latiu, como a dizer “Obrigado, menina”.
20 A menina não reparou, mas a sua concha de lata tinha se transformado numa concha de prata
e estava tão cheia de água quanto antes. Pensou na mãe e caminhou o mais depressa possível.
Chegou à casa ao final da tarde, quando já escurecia. A menina abriu a porta e correu para o
quarto da mãe. Quando entrou no quarto, a velha empregada, que ajudava no serviço e trabalhara
dia inteiro sem descansar tomando conta da doente, caminhou até à porta. Estava tão cansada e
25 com tanta sede que nem conseguiu falar com a menina.
– Dá-lhe um pouco de água, minha filha! – disse a mãe. – Ela trabalhou o dia inteiro, e precisa
mais de água do que eu.
A menina levou a concha aos lábios da velha empregada, que bebeu um pouco de água. No
mesmo instante, sentiu-se melhor e mais forte; caminhou até à sua senhora e conseguiu levantá-la.
30 A menina não reparou que a concha se transformara em ouro e estava tão cheia de água quanto
antes.
Então levou a concha aos lábios da mãe, que bebeu e bebeu… Oh, que bem sentiu a mãe!
Quando terminou de beber, ainda havia um pouco de água na concha. A menina ia levá-la aos
próprios lábios, quando ouviu bater à porta. A empregada foi abrir e lá estava um forasteiro muito
35 abatido e coberto de poeira da estrada.
– Estou com sede – disse. – Podes dar-me um pouco de água?
A menina respondeu:
– Claro que sim, tenho a certeza de que precisa mais dela do que eu. Pode bebê-la toda!
O forasteiro sorriu e pegou na concha com as mãos; quando o fez, ela se transformou numa
40 concha de diamantes. Virou-a de cabeça para baixo e a água derramada infiltrou-se no chão. No
lugar onde a água se infiltrou, surgiu uma fonte. Desde aquele momento, a água fresca da fonte
42 passou a dar de beber a todas as pessoas e a todos os animais daquela terra. Para sempre.

BENNETT, William J.O Livro das Virtudes para Crianças. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1997(adaptação).

Vocabulário
Concha: colher grande, funda e de cabo comprido, geralmente usada para servir sopa ou outros alimentos líquidos (ex.: concha de sopa).
Forasteiro: que é de fora, estrangeiro, peregrino, estranho.
Arfava: do verbo arfar. Ofegar; respirar com dificuldade.
Sofregamente: ávido de comer ou beber; que parece engolir o que come. Ansioso, desejoso, ávido.

Observe o trecho:
“A menina pegou então uma concha de lata e partiu à procura de água. Encontrou uma pequenina fonte no alto da encosta de uma montanha. A fonte estava quase seca. A água pingava, pingava muito devagar por debaixo da pedra.”

Em relação ao foco narrativo do texto I, com base no trecho retirado acima, é correto afirmar que:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Foco narrativo do trecho: narrador em 3ª pessoa, observador.

O trecho está em 3ª pessoa ("A menina pegou", "Encontrou") e só relata ações e fatos externos: pegar a concha, partir, encontrar a fonte, a água pingando. Não revela pensamentos nem sentimentos da menina, o que caracteriza o narrador observador.

Análise das alternativas

A) Errada: não há 1ª pessoa, então o narrador não é personagem. C) Errada: o narrador onisciente revelaria sentimentos e pensamentos, o que o trecho não faz. D) Errada: diálogos não tornam o narrador personagem, e o narrador está fora da história. E) Errada: o observador usa 3ª pessoa, não 1ª.

Referência: Foco narrativo: narrador observador x onisciente x personagem.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Retificação do Gabarito do Exame Intelectual — página 16