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Colégio Militar de Brasília 2022

Questão 24 — Língua Portuguesa: Gêneros Textuais — Finalidade Discursiva

Língua Portuguesa Gêneros Textuais — Finalidade Discursiva

Colégio Militar de Brasília 2022 Fundamental

Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
Após a leitura do Texto 1, responda às questões de 16 a 20.

TEXTO 1

Capa do livro “A terra dos meninos pelados”, de Graciliano Ramos: ilustração colorida em fundo vermelho com plantas estilizadas, um lagarto verde, cogumelos e uma tigela.
A terra dos meninos pelados

1 Capítulo um

Havia um menino diferente dos outros meninos. Tinha o olho direito preto, o esquerdo
azul e a cabeça pelada. Os vizinhos mangavam dele e gritavam: — Ó pelado!

Tanto gritaram que ele se acostumou, achou o apelido certo, deu para se assinar a carvão,
5 nas paredes: Dr. Raimundo Pelado. Era de bom gênio e não se zangava; mas os garotos dos arredores
fugiam ao vê-lo, escondiam-se por detrás das árvores da rua, mudavam a voz e perguntavam que fim
tinham levado os cabelos dele. Raimundo entristecia e fechava o olho direito. Quando o aperreavam
demais, aborrecia-se, fechava o olho esquerdo. E a cara ficava toda escura.

Não tendo com quem entender-se, Raimundo Pelado falava só, e os outros pensavam que
10 ele estava malucando.

Estava nada! Conversava sozinho e desenhava na calçada coisas maravilhosas do país de
Tatipirun, onde não há cabelos e as pessoas têm um olho preto e outro azul.

Capítulo cinco

O viajante rondou por ali uns minutos, receoso de puxar conversa, pensando nos garotos
15 que zombavam dele na rua. Foi-se chegando e sentou-se numa pedra, que se endireitou para recebê-
lo. Um rapazinho aproximou-se, examinou-lhe, admirado, a roupa e os sapatos. Todos ali estavam
descalços e cobertos de panos brancos, azuis, amarelos, verdes, roxos, cor das nuvens do céu e cor do
fundo do mar, inteiramente iguais às teias que as aranhas vermelhas fabricavam.

— Eu queria saber se isto aqui é o país de Tatipirun, começou Raimundo.

20 — Naturalmente, respondeu o outro. Donde vem você? Raimundo inventou um nome para
a cidade dele que ficou importante:

— Venho de Cambacará. Muito longe.

— Já ouvimos falar, declarou o rapaz. Fica além da serra, não é isto?

— É isso mesmo. Uma terra de gente feia, cabeluda, com olhos de uma cor só. Fiz boa
25 viagem e tive algumas aventuras.

— Encontrou a Caralâmpia?

— É uma laranjeira?

— Que laranjeira! É menina.

— Como ele é bobo! gritaram todos rindo e dançando. Pensa que a Caralâmpia é laranjeira.

30 Capítulo seis

Raimundo levantou-se trombudo e saiu às pressas, tão encabulado que não enxergou o rio.
Ia caindo dentro dele, mas as duas margens se aproximaram, a água desapareceu, e o menino com um
passo chegou ao outro lado, onde se escondeu por detrás dum tronco. A terra se abriu de novo, a
correnteza tornou a aparecer, fazendo um barulho grande.

35 — Por que é que você se esconde? perguntou o tronco baixinho. Está com medo?

— Não senhor. É que eles caçoaram de mim porque eu não conheço a Caralâmpia. O
tronco soltou uma risada e pilheriou:

— Deixe de tolice, criatura. Você se afogando em pouca água! As crianças estavam
brincando. É uma gente boa.

40 — Sempre ouvi dizer isso. Mas debocharam de mim porque eu não conheço a Caralâmpia.

— Bobagem. Deixe de melindres.

— É mesmo, concordou Raimundo. Eu pensava nos moleques que faziam troça de mim,
em Cambacará. O senhor está descansando, hein?

— É. Estou aposentado, já vivi demais. Raimundo levantou-se:

45 — Bem, seu Tronco. Eu vou andando.

— Espera aí. Um instante. Quero apresentá-lo à aranha vermelha, amiga velha que me
visita sempre. Está aqui, vizinha. Este rapaz é nosso hóspede.

Graciliano Ramos

Disponível em: https://ddcus.org/pdf/summer_reading/8th_Grade/A%20Terra%20dos%20Meninos%20Pelados%20%20Graciliano%20Ramos%20-%20BESP%208%20Portuguese.pdf. Acesso em: 9 set 2022. (Com adaptações)

Após a leitura do Texto 2, responda às questões de 21 a 24.

TEXTO 2

1 Todos diferentes, todos iguais

"Todos diferentes, todos iguais". À primeira vista esta afirmação pode parecer confusa,
até contraditória, mas, por mais incrível que pareça, não o é, pois a coexistência destas características
é possível.

5 Somos "todos diferentes", pelo menos à vista desarmada. O mundo tem uma
enormíssima diversidade de pessoas, costumes, línguas, crenças e culturas diferentes. Por isso é que
podemos dizer que somos todos diferentes, pois convivemos com as diferenças diariamente e é muito
fácil encontrar pessoas com tradições diferentes. [...]

Somos "todos iguais", certo, mas como? Lá no fundo, por debaixo do que os homens,
10 na sua ignorância, chamam de "diferenças", estão as semelhanças que nos tornam iguais.

Somos todos homens, fato inegável, seres racionais, bípedes, criativos, pensadores e
reflexivos e é isso que nos torna iguais. O que é que nos torna homens? O que é que nos torna
legítimos seres humanos? É a capacidade de pensar e refletir e é aí que está a nossa chave. Ninguém
tem o poder de atribuir ou retirar esta capacidade, nasce conosco, como um direito de nascença,
15 embrenhado no nosso ser como uma pedra à espera de ser lapidada e transformada em diamante. [...]

Portanto, somos diferentes por fora, mas, naquilo que nos torna semelhantes, somos
iguais. Devemos respeitar os outros por mais que eles sejam diferentes, não porque está escrito na
constituição e em tantos outros documentos, mas porque é um dever humano respeitar os outros
porque são tão homens quanto nós.

Hugo Santos

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/uly1063u877.shtml. Acesso em: 18 ago 2021. (Com adaptações)

O Texto 1 e o Texto 2 mantêm pontos em comum no que diz respeito à temática, todavia enquadram-se em gêneros textuais diferentes. Sobre a finalidade discursiva deles, marque a alternativa correta.
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Ver gabarito

Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — 6º ano CMB 2022/2023