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Texto-base:
No trecho a seguir, você lerá algumas informações sobre um importante momento histórico do Brasil: o Dia da Independência. Antes de começar a lê-lo, é importante você saber que, naquela ocasião, D. Pedro I havia recebido documentos de Portugal, ordenando que ele voltasse para lá. D. Pedro I e sua comitiva estavam voltando de uma viagem a Santos e, naquele momento, encontravam-se às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.
TEXTO 3
O vigário de Pitangui, Padre Belchior Pinheiro, reivindica a honra de ter lido para D.
Pedro os papeis chegados do Rio e acrescenta que, finda a leitura, o príncipe, tremendo de
raiva, arrancara-os das mãos, amarrotara-os e pisara-os. Mas a crer no bom vigário, logo se
dominara, a buscar reflexão e conselho.
5 Padre Belchior prossegue contando: “D. Pedro, depois, abotoando-se e recompondo a
roupa (pois vinha de quebrar o corpo à margem do riacho Ipiranga, agoniado por uma
disenteria com dores, que apanhara em Santos), virou-se para mim e disse: ‘— E agora,
Padre Belchior?’ E eu respondi prontamente: ‘—Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil,
será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho senão a
10 independência e a separação’. D. Pedro caminhou alguns passos silenciosamente,
acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros em direção aos nossos animais,
que se achavam à beira da estrada, dizendo-me: Padre Belchior, eles o querem, terão a sua
conta. As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de ‘Rapazinho’ e de ‘Brasileiro’,
pois verão agora quanto vale o ‘Rapazinho’. De hoje em diante estão quebradas as nossas
15 relações; nada mais quero com o Governo Português e proclamo o Brasil para sempre
separado de Portugal”. O rapazinho mostrava que não temia o desafio e que era um homem
criado no Brasil, um brasileiro decidido a defender a sua dignidade e a do país de adoção.
E indo D. Pedro I ao encontro dos dragões da Guarda de Honra, repetiu a
proclamação da Independência: “Amigos, as Cortes querem escravizar-nos e perseguem-nos.
20 De hoje em diante nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais!” Aí, então, o
príncipe arrancou do chapéu o laço azul e branco, símbolo da nação portuguesa e, atirando-o
ao chão, exclamou: “Laço fora, soldados! Viva a independência, a liberdade e a separação do
Brasil”. Aos vivas ao Brasil independente e a D. Pedro, desembainhou este a sua espada,
acompanhado no gesto pelos militares, e pelos civis que se descobriram, e disse: “Pelo meu
25 sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil!”.
A frase deve ter sido fielmente reproduzida: Deus, honra e sangue faziam parte da
linguagem de D. Pedro, em horas solenes, nos seus protestos de juras. Nenhuma exigiria
mais ênfase do que a testemunhada pela comitiva presa do maior entusiasmo, na tarde de 7
de setembro, na colina do Ipiranga. Todos prestaram, eletrizados, o mesmo juramento, e D.
30 Pedro I, embainhando a espada, pôs-se à frente do grupo, como se estivesse em pleno campo
de batalha a comandar um ataque contra os inimigos do Brasil e seus, contra as Cortes,
contra Portugal, contra o resto do mundo. Mas antes, clamou, voltando-se para trás, de pé nos
estribos, para que todos o vissem: “Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será –
Independência ou Morte”. E tomou a direção de São Paulo, a galope, picando de espora a
35 “sua bela besta baia”.
SOUSA, O. T. de. História dos fundadores do Império do Brasil: a vida de D. Pedro I. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1971. P. 30-31 (Adaptado).
No Texto 3, encontramos diferentes falas (ou vozes do texto). A esse respeito, é correto afirmar que
No trecho a seguir, você lerá algumas informações sobre um importante momento histórico do Brasil: o Dia da Independência. Antes de começar a lê-lo, é importante você saber que, naquela ocasião, D. Pedro I havia recebido documentos de Portugal, ordenando que ele voltasse para lá. D. Pedro I e sua comitiva estavam voltando de uma viagem a Santos e, naquele momento, encontravam-se às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.
TEXTO 3
O vigário de Pitangui, Padre Belchior Pinheiro, reivindica a honra de ter lido para D.
Pedro os papeis chegados do Rio e acrescenta que, finda a leitura, o príncipe, tremendo de
raiva, arrancara-os das mãos, amarrotara-os e pisara-os. Mas a crer no bom vigário, logo se
dominara, a buscar reflexão e conselho.
5 Padre Belchior prossegue contando: “D. Pedro, depois, abotoando-se e recompondo a
roupa (pois vinha de quebrar o corpo à margem do riacho Ipiranga, agoniado por uma
disenteria com dores, que apanhara em Santos), virou-se para mim e disse: ‘— E agora,
Padre Belchior?’ E eu respondi prontamente: ‘—Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil,
será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho senão a
10 independência e a separação’. D. Pedro caminhou alguns passos silenciosamente,
acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros em direção aos nossos animais,
que se achavam à beira da estrada, dizendo-me: Padre Belchior, eles o querem, terão a sua
conta. As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de ‘Rapazinho’ e de ‘Brasileiro’,
pois verão agora quanto vale o ‘Rapazinho’. De hoje em diante estão quebradas as nossas
15 relações; nada mais quero com o Governo Português e proclamo o Brasil para sempre
separado de Portugal”. O rapazinho mostrava que não temia o desafio e que era um homem
criado no Brasil, um brasileiro decidido a defender a sua dignidade e a do país de adoção.
E indo D. Pedro I ao encontro dos dragões da Guarda de Honra, repetiu a
proclamação da Independência: “Amigos, as Cortes querem escravizar-nos e perseguem-nos.
20 De hoje em diante nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais!” Aí, então, o
príncipe arrancou do chapéu o laço azul e branco, símbolo da nação portuguesa e, atirando-o
ao chão, exclamou: “Laço fora, soldados! Viva a independência, a liberdade e a separação do
Brasil”. Aos vivas ao Brasil independente e a D. Pedro, desembainhou este a sua espada,
acompanhado no gesto pelos militares, e pelos civis que se descobriram, e disse: “Pelo meu
25 sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil!”.
A frase deve ter sido fielmente reproduzida: Deus, honra e sangue faziam parte da
linguagem de D. Pedro, em horas solenes, nos seus protestos de juras. Nenhuma exigiria
mais ênfase do que a testemunhada pela comitiva presa do maior entusiasmo, na tarde de 7
de setembro, na colina do Ipiranga. Todos prestaram, eletrizados, o mesmo juramento, e D.
30 Pedro I, embainhando a espada, pôs-se à frente do grupo, como se estivesse em pleno campo
de batalha a comandar um ataque contra os inimigos do Brasil e seus, contra as Cortes,
contra Portugal, contra o resto do mundo. Mas antes, clamou, voltando-se para trás, de pé nos
estribos, para que todos o vissem: “Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será –
Independência ou Morte”. E tomou a direção de São Paulo, a galope, picando de espora a
35 “sua bela besta baia”.
SOUSA, O. T. de. História dos fundadores do Império do Brasil: a vida de D. Pedro I. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1971. P. 30-31 (Adaptado).
No Texto 3, encontramos diferentes falas (ou vozes do texto). A esse respeito, é correto afirmar que
Resolução comentada
Há ao menos três vozes: narrador, Padre Belchior e D. Pedro.
O narrador conduz o texto. O Padre Belchior relata em primeira pessoa entre aspas. D. Pedro tem falas reproduzidas em discurso direto ('Laço fora, soldados!'). Logo, pelo menos três vozes se identificam.
Análise das alternativas
B ignora a voz de D. Pedro. C e D atribuem falas a Cordeiro, Bregaro, Carlota e aos dragões, que apenas são citados. E inclui 'todos que o vissem', que não falam.
Referência: Discurso direto e vozes do texto.
Resolução comentada do VaiConcursos.