Pular para o conteúdo

Colégio Militar de Brasília 2025

Questão 24 — Língua Portuguesa: Concordância Verbal

Língua Portuguesa Concordância Verbal

Colégio Militar de Brasília 2025 Fundamental

Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 1º Ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1

O peso e a leveza de viver
A leveza intensifica a sensação de liberdade, mas não cria vínculos; o sonho é o terreno da leveza, mas sua concretização exige o peso. É possível escolher entre o peso e a leveza?
Por Margot Cardoso, em 22/09/2021

Por conta de um seminário na margem sul do Tejo, cruzei a Praça do Comércio durante toda a semana. Saía do barco, atravessava a praça e avançava sob o arco da rua Augusta, oficialmente a porta de entrada da cidade. O mesmo trajeto que, durante séculos, fizeram aqueles que chegavam a Lisboa por mar. Apesar da repetição, o trajeto nunca foi monótono. Houve dias em que senti uma leveza extrema: a belíssima arquitetura tingida de amarelo com suas torres e esculturas que abraça o campo de visão; o histórico café Martinho da Arcada, frequentado por Fernando Pessoa (...); o clima de festa no rosto dos turistas...
Em outros dias, fui soterrada pelo peso da história da praça. Foi nela que se registrou, em 1640, o fim do domínio espanhol, assinalado com a morte do secretário de estado (...). Esse mesmo cenário foi transformado em escombros pelo terremoto de 1755. O Palácio Real e sua biblioteca de 70 mil volumes, documentos históricos e centenas de obras de arte – entre as quais pinturas de Ticiano e Rubens – foram completamente destruídos. Nessa mesma praça, em 1908, foram assassinados o rei D. Carlos e o seu filho.
A mesma praça, dois estados: peso e leveza. As duas faces da vida na visão do filósofo grego Parmênides, que via o mundo como pares opostos: o ser e o não ser, o quente e o frio, o peso e a leveza. Apesar da pertinência, Parmênides tinha preferência pela leveza, porque ela tinha mais chances de trazer a liberdade.
Desde a descoberta dessa condição, a disputa entre o peso e a leveza tem sido acirrada. (...) Porém, hoje, muito mais do que em qualquer outra época, a leveza tem alcançado a importância máxima. Nunca a leveza criou tantas expectativas, desejos e obsessões. Nunca fez comprar e vender tanto. Ela tornou-se um valor, um ideal a ser perseguido, quase uma virtude.
A demanda é ser leve, viver de forma solta, sem o peso de amarras. A recomendação é simplificar a vida, viajar com pouca bagagem e eliminar tudo que nos aproxime da terra firme. Todos clamam pela leveza e suas variações. No campo pessoal, há o elogio à magreza, às dietas detox, à desaceleração, à busca do zen, do mindfullness, do minimalismo. (...) Por todos os lados, a ordem é desmaterializar. Mais do que dinheiro e felicidade, a escolha do corpo e do espírito é pela mala menos pesada. E exige-se do outro que ele “pegue leve”. Nietzche identificou a preferência: “o que é bom é leve, tudo o que é divino corre sobre pés delicados”.
E qual é o problema? A ironia. Apesar de todo esse arsenal de leveza, a cada dia a vida parece mais pesada e difícil de suportar. Dizendo melhor: a busca da leveza é pesada e estamos caminhando em círculos: buscamos a leveza, encontramos o peso e, por isso, aumentamos ainda mais a nossa sede pela leveza. (...) E por que é assim? Porque não existe nada leve ou pesado. Não há como experimentar a leveza doce do amor por um filho, sem o peso do dever de educá-lo. A existência etérea da borboleta carrega o peso da memória da lagarta. Eles não são contraditórios, são faces da mesma moeda, se alternam e se encontram. São parte da diversidade necessária para o equilíbrio da vida.
E mesmo que fosse possível escolher. Qual dos dois é o melhor? A leveza intensifica a sensação de liberdade, mas também traz a insignificância e a dispersão. Ela não carrega malas, mas também não cria vínculos. O peso vem quando nos relacionamos, mas só nos relacionamos quando a leveza permite que sejamos tocados. O peso nos puxa para a terra, diminui a nossa agilidade, mas é esse mesmo peso que pavimenta o caminho da leveza de se rever e de se perder naqueles que amamos. A leveza traz a capacidade para o sonho, mas é no peso que encontramos o sentido da vida.

Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/o-peso-e-a-leveza-de-viver/. Acesso em: 21 mai 2025.

Acerca das relações de concordância dos verbos em destaque, é correto afirmar que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Com sujeito composto posposto, a concordância pode ser feita com o núcleo mais próximo.

Em 'foram assassinados o rei D. Carlos e o seu filho', o sujeito composto vem depois do verbo. Nesse caso, a concordância com o núcleo mais próximo ('foi assassinado o rei...') é permitida.

Análise das alternativas

A) Errada: 'se registrou' tem 'se' apassivador e sujeito 'o fim', e não sujeito indeterminado. C) Errada: o 'que' é objeto direto e o sujeito é 'aqueles', que exige o plural 'fizeram'. D) Errada: o núcleo do sujeito é 'escolha', singular, e 'do corpo e do espírito' é adjunto adnominal. E) Errada: 'haver' no sentido de existir é impessoal e fica no singular.

Referência: Concordância verbal: sujeito composto posposto e verbo haver impessoal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: B

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — CMB 2025/2026, 1º ano do Ensino Médio