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TEXTO II
Quem tem medo de quê?
1 Eu vou contar pra você
o que é meu maior segredo.
Há uma coisa no mundo
que me mete muito medo!
5 Não tenho medo de pai,
nem de mãe e nem de irmão.
Mas eu tenho muito medo
do barulho do trovão.
Do trovão? Mas que bobagem!
10 Que medo mais infantil!
Quando o trovão faz barulho
o raio até já caiu... (...)
Sabe do que eu tenho medo?
Que me dói o coração?
15 Até me arrepia a espinha...
Tenho medo de injeção!
Ah, injeção eu não gosto,
mas não fico apavorada.
Existe só uma coisa
20 que me deixa até gelada...
Do que eu tenho muito medo,
que me deixa num apuro...
É uma coisa meio besta:
é ter de ficar no escuro...
25 Que medo mais bobo o seu!
É verdade, eu asseguro,
que é só acender a luz
e pronto! Acabou-se o escuro!
O medo maior que eu tenho,
30 o que me causa pavor,
é de pensar em vampiro.
Vampiro me causa horror!
Vampiro não me dá medo...
Acho que nunca senti...
35 Tenho medo do que existe,
e não do que nunca vi.
Mas existe uma coisinha...
Eu de medo até me encolho!
Eu tenho um medo danado
40 mas é de pegar piolho.
Piolho é um bichinho à-toa...
Não complica nossa vida.
É coisa que a gente cura
com sabão e inseticida!
45 Agora, mais perigoso
pra mim, até que leão,
tenho medo é de cachorro,
cachorrinho ou cachorrão!
Cachorro eu até que gosto.
50 Na minha casa tem três.
Agora, o que eu tenho medo
eu vou contar de uma vez.
Não tenho medo de nada! (...)
Mas apesar de valente
55 tenho medo de avião!
É mais pesado que o ar
e tem motor de explosão...
Mas apesar disso tudo,
eu não tenho medo, não!
60 Mas (...), pato, galinha, (...)
tudo que é bicho de pena
me põe de cabelo em pé!
Pelo que vemos, pessoal,
ter medo não é vergonha.
65 Todo mundo tem um medo,
que a gente nem mesmo sonha.
Mas eu vou andando agora.
Não temo bicho, nem homem!
É que está chegando a hora
70 de aparecer lobisomem...
(ROCHA, Ruth. Quem tem medo de quê? São Paulo: Salamandra, 2012. Adaptado.)
No texto II, há vozes que dialogam sobre o medo: uma delas comenta por que não se assusta diante daquilo que faz a outra tremer para, logo em seguida, confessar seu medo motivado por outras razões.
O verso que exprime o que essa contraposição revela é
Resolução comentada
A contraposição entre as vozes mostra que todos têm medo de algo.
Uma voz diz não temer o que apavora a outra, mas logo confessa medos por outras razões. O contraste mostra que os medos variam de pessoa para pessoa, mas todos sentem algum. Isso é dito no verso "Todo mundo tem um medo" (v. 65), que generaliza a ideia.
Análise das alternativas
A) "Não tenho medo de nada!" é a bravata de uma das vozes, que depois se contradiz. B) "Mas apesar de valente" introduz a confissão de medo, mas é só parte do contraste, não a conclusão que ele revela. C) "eu não tenho medo, não!" é uma negação pontual, ligada ao avião. D) "Pelo que vemos, pessoal," é só a expressão que introduz a conclusão, sem trazer a ideia em si.
Referência: Interpretação de texto poético; ROCHA, Ruth. Quem tem medo de quê?
Resolução comentada do VaiConcursos.