Sem padrão de resposta — pratique a escrita
Leia os textos abaixo.
TEXTO I
Este artigo tem, como principal norteador, o trabalho prático em escolas públicas e privadas, realizado por uma equipe de bolsistas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, do Projeto de Extensão “MemórIA”, cujo principal objetivo é promover a educação midiática e, consequentemente, o pensamento crítico dos jovens com relação aos diversos conteúdos gerados por programas e plataformas de IA, através de ações socioeducativas nas escolas públicas e particulares da cidade e região.
Este trabalho justifica-se a partir do entendimento da necessidade de que as escolas abordem a temática da Inteligência Artificial em sala de aula, através da ótica das habilidades e competências (Sayad, meio digital, 2024), para lidar com mudanças tão velozes e significativas. Portanto, o Projeto de Extensão, acima mencionado, junto com um embasamento de leituras teóricas, busca, em contato com os alunos, demonstrar que é possível “aprender a aprender”, ou seja, que a aprendizagem é permanente e está integrada e conectada com o universo tecnológico. Por exemplo, se demonstramos aos alunos que é importante buscar por informações em fontes seguras e compreender o viés desta informação, estamos os preparando para esta realidade em que é preciso desenvolver, cada dia mais, um pensamento crítico diante de tantas fontes de informações, somadas às fake news, desinformação e montagens. […]
Os estudos e pesquisas em torno da IA passam por diversos desafios, expansões e questionamentos éticos. Durante a palestra intitulada “O que (ainda) nos faz humanos? Inteligência Artificial e pensamento crítico”, o professor Alexandre Le Voci Sayad, da UnB (meio digital, 2024) afirmou que uma palavra importante para se pensar a Inteligência Artificial é a interdisciplinaridade. A partir desta perspectiva, indaga-se: “É possível que a Inteligência Artificial, como uma nova forma de mediação, interfira no pensamento crítico da Geração Z¹?”.
De acordo com o professor de Sociologia, Francisco Porfírio (meio digital, 2024), a geração Z cresceu num ambiente inóspito e de completa insegurança em relação ao futuro. A socialização pela internet levou a uma nova configuração social dessa geração e a novos hábitos de consumo. A internet, que deixou de ser aquela rede acessível apenas em casa pelos computadores, tornou-se uma companheira constante através dos smartphones. […]
Autores como o professor Muniz Sodré (meio digital, 2020), defendem que, com o passar dos anos e o aumento considerável das novas tecnologias e a aceleração do tempo, bem como a efemeridade das informações, diminuiu a postura crítica das pessoas diante do mundo virtual. Isso é facilmente percebido quando pensamos nos inúmeros casos de desinformação, montagens, fotos manipuladas e fake News que assolaram a internet nos últimos anos.
¹ Também chamada de “centennial” ou “nativos digitais”, a geração Z nasceu de 1995 a 2010 e cresceu em um mundo hiper conectado e em ambientes completamente digitais. Portanto, é possível afirmar que aqueles que pertencem a esta geração, são indivíduos que tem uma íntima relação com o mundo virtual, internet, informática, videogames, e acompanham atentamente as inovações tecnológicas para consumi-las.
(fonte: MAGNOLO, Talita. A Inteligência Artificial como mediação na educação: um método para o desenvolvimento do pensamento crítico nas escolas. Anais de Artigos do Seminário Internacional de Pesquisas em Midiatização e Processos Sociais, [S.l.], v. 1, n. 6, sep. 2024. ISSN 2675-4290. Disponível em: <https://www.midiaticom.org/anais/index.php/seminario-midiatizacao-artigos/article/view/1730>. Acesso em: 21 mar. 2025.]
TEXTO II
Os desafios éticos na era da Inteligência Artificial são infinitamente vastos e profundamente complexos. Esses desafios se estendem por toda a cadeia humana de produção, formação, intercâmbio social, político e econômico. Estão presentes também no plano dos modos de subjetivação e individuação. Na medida em que a IA se torna uma força produtiva cada vez mais relevante, muitos aspectos e funções do modo de produção contemporâneo se modificam, muitas profissões se transformam e, em especial, aquelas do setor de serviços. Assim, parece-nos imperativo para a universidade repensar seu posicionamento, suas estratégias pedagógicas e seus conteúdos fundamentais, não apenas para acompanhar essas transformações no mundo do trabalho, mas também para se inserir criativamente, tanto quanto possível, na modelagem do futuro.
Muitas questões se abrem nesse debate. Quais são as atividades profissionais que serão transformadas, substituídas ou empoderadas pela IA? Que tipo de profissional está em gestação? Qual profissional deverá ser formado? Que espécie de processos pedagógicos estão em jogo? Quais os rumos que as novas pesquisas deverão adotar? Em que se transforma a universidade nesse contexto? Como vamos regular a IA no âmbito da formação universitária? O que fazer com a possível massa de desempregados? Que tipos de profissões surgirão no horizonte futuro? Que tipo de formação universitária é compatível com a perspectiva de um modo de produção sustentado pela IA? […]
No entanto, paradoxalmente, as salas de aula de hoje continuam praticamente iguais àquelas de cem anos atrás, tornando o ensino uma tarefa complexa e difícil para os professores e a aprendizagem um processo bastante despersonalizado, seriado e muitas vezes inconsistente para os alunos. A IA, entretanto, tem potencial para transformar positivamente essa realidade. [...]
Diferentemente dos professores tradicionais, que precisam considerar as necessidades de um grupo inteiro de estudantes, um instrutor virtual – um sistema de instrução baseado em IA – é capaz de se dedicar individualmente a cada aluno, abordando aspectos específicos como dificuldades de pronúncia, prática de operações matemáticas ou aprimoramento da escrita. Um instrutor virtual tem a habilidade de perceber mudanças sutis no comportamento dos estudantes, como a dilatação das pupilas e o piscar dos olhos. Essas observações permitem ao instrutor virtual adaptar seu método de ensino para atender às necessidades de aprendizagem específicas de um determinado aluno, mesmo que esse método não seja eficaz para os outros. Por exemplo, para um estudante que tenha interesse em basquete ou futebol, a IA pode usar processamento de linguagem natural para contextualizar questões matemáticas nesse universo esportivo. Além disso, a IA tem a capacidade de designar tarefas de casa personalizadas, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada aluno. […]
No entanto, ao contrário do que poderia parecer, nesse cenário de hibridização dos processos de ensino-aprendizagem das instituições educacionais com a IA, os educadores humanos manterão papéis cruciais, atuando principalmente como mentores e facilitadores do aprendizado dos alunos. Eles desempenharão um papel vital no fomento do pensamento crítico, da criatividade, da compaixão e da colaboração entre os estudantes. Além disso, os professores atuarão como mediadores para esclarecer dúvidas, desafiar a complacência e oferecer conforto em momentos de frustração. Fundamentalmente, os educadores terão a oportunidade de desviar sua atenção das tarefas mais tediosas de transmissão de conhecimento para se concentrar no desenvolvimento da inteligência emocional, da criatividade, do caráter, dos valores e da resiliência dos alunos.
(Fonte: AZAMBUJA, C. C. DE; SILVA, G. F. DA. Novos desafios para a educação na Era da Inteligência Artificial. Filosofia Unisinos, v. 25, n. 1, p. e25107, 2024.)
TEMA
O texto da prova traz uma história ocorrida com um oficial da marinha inglesa. A história, real, foi transformada em um conto por ninguém menos que Machado de Assis. Manuel Bandeira usou os jornais para os quais escrevia, em 1936, para contar os bastidores de como surgiu esse conto da pena de tão renomado escritor.
Pense na época de Machado de Assis (1839 – 1908). Não existia rádio. A leitura era a forma como as pessoas tinham acesso às histórias, e os jornais traziam os acontecimentos e as opiniões dominantes da época. Exigia-se concentração das pessoas para ler, e até mesmo para ouvir, quando o rádio popularizou-se nos anos 30.
Hoje há uma impaciência na escuta do outro. Torna-se cada vez mais comum observar as pessoas ouvindo áudios dos amigos em velocidade dois. Há uma pressa enorme, que prejudica a atenção e a capacidade contemplativa que nos acalma. Como aprender sem parar para pensar, para analisar, para ouvir? Para onde estamos caminhando com tanta tecnologia? Estamos realmente “caminhando”? Ou será que participamos de uma corrida? Para chegar aonde?
Pensando sobre isso, e inspirado nos textos de apoio I e II, produza um texto dissertativo-argumentativo de 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas, em terceira pessoa, sobre o seguinte tema:
O processo de ensino-aprendizagem na era da inteligência artificial.
Extensão: de 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas, em terceira pessoa.
OBSERVAÇÕES:
1. Aborde o tema sem se restringir a casos particulares ou específicos ou a uma determinada pessoa.
2. Formule uma opinião sobre o assunto e apresente argumentos que defendam seu ponto de vista, sem transcrever literalmente trechos dos textos de apoio.
3. Não se esqueça de atribuir um título ao texto.
4. A redação será considerada inválida (grau zero) nos seguintes casos:
- trecho com qualquer marca que possa identificar o candidato;
- modalidade diferente da dissertativa;
- insuficiência vocabular, excesso de oralidade e/ou graves erros gramaticais;
- emprego de frases soltas, sem o uso adequado de elementos coesivos;
- fuga do tema proposto;
- texto ilegível;
- texto em forma de poema ou outra que não em prosa;
- linguagem incompreensível ou vulgar;
- texto em branco ou com menos de 17 (dezessete) ou mais de 38 (trinta e oito) linhas; e
- uso de lápis ou caneta de tinta diferente da cor azul ou preta.
5. Se a sua redação tiver entre 17 (dezessete) e 24 (vinte e quatro) linhas, inclusive, ou entre 31 (trinta e uma) e 38 (trinta e oito) linhas, também inclusive, sua nota será diminuída, mas não implicará grau zero.