Gabarito disponível
Deus sabe quantas vezes vou deitar-me com o desejo, com a esperança, de não mais despertar. E pela manhã, quando abro os olhos e revejo a luz do sol, sinto-me infeliz. Oh! Se eu fosse leviano, poderia culpar o tempo, uma outra pessoa, um empreendimento fracassado e, assim, o insuportável fardo do descontentamento não me pesaria tanto. Pobre de mim! Percebo muito bem que a culpa é toda minha: não a culpa, não! A verdadeira fonte de toda a minha desgraça está oculta no meu peito, a mesma fonte que outrora produzia toda a minha felicidade. Será que já não sou mais o mesmo que antes flutuava na plenitude dos sentimentos; que encontrava um paraíso em cada passo; que possuía um coração capaz de abraçar com seu amor o mundo inteiro? Mas, agora, esse coração está morto; dele já não brota nenhum entusiasmo; meus olhos estão secos e, como meus sentidos, já não têm o alívio das lágrimas refrescantes, tenho a face contraída pela angústia.
Johann Wolfgang Goethe. Os sofrimentos do jovem Werther. São Paulo: Martins Claret, 2014 (com adaptações).
Tendo o excerto literário precedente como referência inicial, julgue os itens seguintes, relativos a suicídio.
Não há evidências científicas suficientes provenientes de pesquisas qualitativas que justifiquem a afirmativa de que discriminação por raça interfere na suicidabilidade.
Resolução comentada
Há evidências qualitativas de que a discriminação racial interfere na suicidabilidade.
Pesquisas, inclusive qualitativas, associam o racismo e a discriminação racial a sofrimento psíquico e a maior risco de suicídio, especialmente na população negra. A afirmação de que não há evidências suficientes é, portanto, incorreta.
Análise das alternativas
Certo: incorreto, pois há evidência da relação entre discriminação e suicidabilidade. Errado: correto, conforme o gabarito.
Referência: Ministério da Saúde, Boletim Epidemiológico; literatura sobre racismo e saúde mental.
Resolução comentada do VaiConcursos.