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Cebraspe · Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED/SE) 2026

Questão 58 — Ensino de Arte: Arte Indígena e Corporeidade

Ensino de Arte Arte Indígena e Corporeidade

Cebraspe 2026

Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED/SE) · Cargo 1: Professor de Educação Básica – Área de Atuação: Grupo I – Ensino Fundamental e Ensino Médio – Disciplina: Arte

Gabarito disponível

Quando nós, povos indígenas, tratamos e olhamos o nosso corpo, olhamos a partir do nosso ponto de vista de transformação. O corpo está em constante transformação, está em movimento. Uma das coisas que eu levantei na minha tese de doutorado é exatamente como nós, povos indígenas, compreendemos e conceituamos o corpo. Cheguei a uma questão que o corpo, do nosso ponto de vista, é a síntese de todos os elementos, os nossos especialistas falam que o corpo é constituído de vida água, quando digo água, não é água que a gente conhece, é a água na sua essência, vida-animal na sua essência, vida-vegetal, vida-luz, vida-terra. Essa noção de constituição do corpo como elemento é fundamental, é onde os nossos especialistas lançam mão para transformar o corpo; então Bahsese como arte transforma o corpo pelo poder de manipulação das qualidades sensíveis e das coisas via palavras, pela formação que os especialistas têm, portanto, para nós, a oralidade é importante, falar para nós não é qualquer coisa, é a palavra que transforma, é a palavra que destrói, é a palavra que constrói, o poder da palavra é superimportante, portanto a arte do Bahsese é isso. Dizia o grande professor indígena Brasilino Barreto: “Esse poder que está na ponta da boca”. Assim como para os brancos o poder está na caneta, na escrita.
João Paulo Barrreto Yepamahsã e Luiz Davi Vieira Gonçalves.
Teatro e povos indígenas: o perigo da folclorização. In: Naine Terena e Andreia Duarte (Org.).
Teatro e os povos indígenas: janelas abertas para a possibilidade.
Rio de Janeiro: Editora Outra Margem / São Paulo: N-1 Edições, 2023 (com adaptações).

A partir da leitura desse texto, assinale a opção correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Reduzir a arte indígena a folclore desvaloriza sua dimensão artística, técnica, social e espiritual.

O texto trata o corpo e a palavra como potências de transformação, com saber próprio dos especialistas indígenas (Bahsese como arte). Classificar a arte indígena apenas como folclore apaga essa autonomia estética, técnica, espiritual e social, que é o alerta do título do texto ("o perigo da folclorização").

Análise das alternativas

A) Errada: a perspectiva de transformação não se limita ao processo, pois o corpo em constante transformação inclui também o resultado, que não precisa ser fixado como obra. B) Errada: a consciência corporal pode dialogar com outras concepções de corpo, inclusive a indígena. C) Errada: a oralidade não impossibilitou o teatro indígena; é uma forma de transmissão e criação. E) Errada: o texto valoriza justamente o poder da palavra, e a oralidade pode integrar a expressão corporal.

Referência: Yepamahsã e Gonçalves, Teatro e povos indígenas: o perigo da folclorização (2023).

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito oficial definitivo — página 1