Gabarito disponível
Caso clínico 10A1-I
Paciente assintomática, de 61 anos de idade, com hiperuricemia e antecedente de diabetes do tipo 2 há sete anos, comparece ao ambulatório para consulta de retorno. Na última consulta, há três meses, apresentou pressão arterial de 136 mmHg × 84 mmHg, quando foram orientadas medidas não medicamentosas (MNM). Atualmente faz uso regular de metformina 1,7 grama uma vez ao dia. Ao exame físico, a paciente apresenta circunferência abdominal de 92 cm, frequência cardíaca = 54 bpm e pressão arterial = 134 mmHg × 86 mmHg; os demais dados não revelam anormalidades significativas. Os exames laboratoriais revelam hemoglobina glicada = 7 g/dL; creatinina = 1,4 mg/dL; albuminúria (em amostra isolada de urina) = 58 mg de albumina por grama de creatinina; colesterol total = 185 mg/dL, HDL-C = 30 mg/dL; LDL-C = 103 mg/dl; triglicérides = 260 mg/dL e glicemia de jejum = 151 mg/dL.
Assinale a opção em que é corretamente apresentada, de acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, a abordagem inicial mais apropriada para o controle dos níveis pressóricos da paciente mencionada no caso clínico 10A1-I.
Resolução comentada
Hipertensa estágio 1 (PA 134/86) com diabetes e albuminúria/DRC: iniciar MNM + monoterapia com IECA ou BRA.
Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão 2025, pacientes com PA entre 130-139/80-89 mmHg e alto risco cardiovascular (diabetes, lesão de órgão-alvo como albuminúria e creatinina elevada) devem receber MNM associadas a tratamento farmacológico inicial. Como a PA está pouco acima da meta e a paciente tem albuminúria, a abordagem inicial é monoterapia com IECA ou BRA, que oferecem nefroproteção. A associação em dose fixa fica para PA mais elevada (a partir de estágio 2) ou falha da monoterapia.
Análise das alternativas
A) Associação BRA+BCC em dose fixa é reservada a hipertensão estágio 2 ou risco mais alto/PA mais elevada; aqui não é a abordagem inicial. B) Manter apenas MNM por mais três meses é inadequado: já houve três meses sem controle e a paciente tem alto risco (diabetes, albuminúria). D) IECA+BCC é associação dupla, desnecessária no início e não prioriza monoterapia. E) IECA+tiazídico também é associação dupla, além de o tiazídico poder piorar o perfil metabólico/hiperuricemia da paciente.
Referência: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 (Sociedade Brasileira de Cardiologia).
Resolução comentada do VaiConcursos.