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Academia da Força Aérea (AFA) · Academia da Força Aérea — Comando da Aeronáutica 2013

Questão discursiva REDAÇÃO — Língua Portuguesa: Redação — Texto Dissertativo-Argumentativo

Língua Portuguesa Redação — Texto Dissertativo-Argumentativo

Discursiva Academia da Força Aérea (AFA) 2013 Médio

Academia da Força Aérea — Comando da Aeronáutica · Cadete — Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV/CFOINT/CFOINF) · Caderno Versão A · Questão REDAÇÃO

Sem padrão de resposta — pratique a escrita

Texto-base:
TEXTO I
A MOÇA E A CALÇA
Foi no Cinema Pax, em Ipanema. O filme em
exibição é ruim: “O menino mágico”. Se mágico adulto
geralmente é chato, imaginem menino. Mas isso não
vem ao caso. O que vem ao caso é a mocinha muito da
5 redondinha, condição que seu traje apertadinho deixava
sobejamente clara. A mocinha chegou, comprou a
entrada, apanhou, foi até a porta, mas aí o porteiro olhou
pra ela e disse que ela não podia entrar:
_ Não posso por quê?
10 _ A senhora está de “Saint-Tropez”.
_ E daí?
Daí o porteiro olhou pras exuberâncias físicas
dela, sorriu e foi um bocado sincero: _ Por mim a
senhora entrava. (Provavelmente completou baixinho... e
15 entrava bem.) Mas o gerente tinha dado ordem de que
não podia com aquela calça bossa-nova e, sabe como
é... ele tinha que obedecer, de maneira que sentia muito,
mas com aquela calça não.
_ O senhor não vai querer que eu tire a calça.
20 Nós, que estávamos perto, quase respondemos
por ele: _ Como não, dona! _ Mas ela não queria
resposta. Queria era discutir a legitimidade de suas
apertadas calças “Saint-Tropez”. Disse então que suas
calças eram tão compridas como outras quaisquer. O
25 cinema Pax é dos padres e talvez por causa desse
detalhe é que não pode “Saint-Tropez”. A calça, de fato,
era comprida como as outras, mas embaixo. Em cima
era curta demais. O umbigo ficava ali, isolado,
parecendo até o representante de Cuba em conferências
30 panamericanas.
_ Quer dizer que com minhas calças eu não
entro? _ Quis ela saber ainda mais uma vez. E vendo o
porteiro balançar a cabeça em sinal negativo, tornou a
perguntar: _ E de saia?
35 De saia podia. Ela então abriu a bolsa, tirou
uma saia que estava dentro, toda embrulhadinha (devia
ser pra presente). Desembrulhou e vestiu ali mesmo, por
cima do pomo da discórdia. No caso, a calça “Saint-
Tropez”. Depois, calmamente, afrouxou a calça e deixou
40 que a dita escorresse saia abaixo. Apanhou, guardou na
bolsa e entrou com uma altivez que só vendo.
Enquanto rasgava o bilhete, o porteiro
comentou:
_ Faço votos que ela tenha outra por baixo.
45 Outra calça, naturalmente.
(Stanislaw Ponte Preta)

Texto-base:
TEXTO II
A FAVOR DA DIFERENÇA, CONTRA TODA DESIGUALDADE *
A maioria das pessoas acredita que está isenta
de preconceitos. No entanto até sua linguagem contradiz
esta crença. De modo especial, o corpo, que deveria ser
um elemento de agregação e de comunicação, se torna
5 elemento de discriminação.
Coube-me fazer uma pesquisa com dez
adolescentes sobre a presença da violência na escola
através da palavra. Todos afirmaram que já agrediram e
foram agredidos com palavras. Surpreende que os
10 adolescentes veem no corpo um elemento de
discriminação. A obesidade, a altura, pequenos defeitos
físicos são motivos de preconceito.
Acontece que nossa sociedade seleciona um
determinado corpo como modelo e quem não obedece a
15 este padrão está fora de cogitação. Num país de pobres
que não conseguem ter uma alimentação equilibrada e
nem os cuidados mínimos com a saúde, a consequência
é a marginalização.
As pessoas com necessidades especiais
20 também são consideradas anormais. É muito comum
agredir verbalmente as pessoas chamando-as de
retardadas. Até os pobres entram na dança da agressão.
Um xingamento comum é o de vileiro ou favelado. E o
que dizer dos adolescentes homossexuais?
25
Diferença x desigualdade
Existe a visão de que a diferença se identifica
com a desigualdade. Há um padrão de ser humano
30 estandardizado e único que deve servir de metro para o
julgamento das pessoas. O grande desafio para a
educação é descobrir este currículo oculto verdadeiro e
forte para enfrentá-lo adequadamente.
Há pessoas que dizem que só a educação é
35 capaz de salvar e desenvolver um país. Até aqui todos
estão de acordo. Contudo é importante se perguntar
qual é o tipo de educação necessária para um país
como o Brasil, que tem uma das maiores concentrações
de renda do mundo. Há pessoas que tiveram acesso a
40 todos os estudos possíveis e, no entanto, continuam
defendendo uma sociedade livre sem ser justa, o que,
convenhamos é uma grande possibilidade.
Pesquisa realizada pela Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido do MEC,
45 demonstrou que quanto mais preconceito e práticas
discriminatórias existem numa escola, pior é o
desempenho de seus estudantes. Foram entrevistadas
18.500 pessoas entre alunos, pais, diretores,
professores e funcionários de 501 escolas de todo o
50 Brasil. Do total de estudantes entrevistados, 70% têm
menos de 20 anos.
Esta pesquisa revela que praticamente todos os
entrevistados (99,3%) têm preconceito em algum nível.
Sobre contra quem eles admitem ter preconceito,
55 revelaram: homossexual, deficiente mental, cigano,
deficiente físico.
Enquanto a educação não enfrentar essas
questões, o que está acontecendo em nossas escolas é
apenas uma transmissão de conteúdos, um verniz
60 colorido que não penetra o profundo, a consciência e o
coração das pessoas. (...)
SANDRINI, Marcos. Mundo jovem. Realidade brasileira Fevereiro de 2013.
*O texto foi reproduzido na íntegra, respeitando-se todas as construções
sintáticas da forma como nele apareceram.

Texto-base:
TEXTO III
SOMOS SÓ PARTE DA IMENSA DIVERSIDADE
Protagonista do filme “Colegas”, que estreou sexta, fala da vida
com a síndrome de Down e de como se sente igual a todos.
Protagonista do filme “Colegas”, do diretor
Marcelo Galvão, o ator Ariel Goldenberg, 32, se define
como um “guerreiro”. E ele é. Guerreiro down, diga-se.
Down de síndrome de Down mesmo.(...)
5 O sonho do guerreiro, agora é se firmar na
carreira de ator (pensa em atuar em uma novela) e
estudar para se tornar diretor também.
Abaixo, entrevista de Goldenberg, em que revela o
segredo de seu sucesso e dá dicas sobre como os pais
10 de crianças com Down podem ajudar seus filhos.
Como você avalia o seu desempenho no filme?
Eu dei a minha alma para que o Stallone
expressasse a realidade de um down que luta para
materializar seus sonhos. Stallone sou eu. Tenho
15 orgulho de dizer que fizemos o filme todo em um take
só. Gravamos direto, não houve a necessidade de
refazer cenas porque os atores se esqueceram do texto,
ou porque não colocaram verdade nos personagens.
Você alguma vez se sentiu discriminado por ser
20 down?
Uma vez. E foi, por coincidência, em um
cinema. Eu e a Rita estamos acostumados a ir ao
cinema toda sexta-feira. Sempre fomos tratados com
respeito, mas, naquele dia, o gerente se recusou a
25 aceitar que pagássemos meia-entrada, que é um direito
assegurado aos downs. Ficou claro que ele não nos
queria lá. Me subiu o sangue na hora.
Como você conheceu a Rita?
Entrei no site “Grandes encontros”, que é uma
30 sala de bate-papo para pessoas com deficiência, e a
encontrei. O que ela tem de mais? Nada. Apenas uma
alma pura e os olhos azuis bonitos. Casamos nos rituais
judaico, religião da minha família, e no católico, da
família da Rita.
35 Você se sente um cara diferente das pessoas
comuns?
Não. Eu me sinto igual a todo mundo. Nós
downs perante a sociedade somos downs, mas, perante
Deus, somos normais. É claro que eu sei que temos
40 uma cópia a mais do cromossomo 21. Mas todo dia
nasce um bebê torto, ou loiro, ou moreno, ou mais
inteligente ou menos. Nós somos apenas parte da
imensa diversidade dos seres humanos. Por isso, somos
normais.
45 E ter filhos, você e a Rita não planejam?
Não. Porque dá muito trabalho formar um filho
com a síndrome. E há a probabilidade muito grande de
termos um filho com a síndrome. Eu não quero arriscar.
CAPRIGLIONE, Laura. Folha de São Paulo. 04 de março de 2013.

Texto-base:
TEXTO IV

SER DIFERENTE É NORMAL

Todo mundo tem seu jeito singular
de ser feliz, de viver e de enxergar
se os olhos são maiores ou são orientais
e daí, que diferença faz?
5
Todo mundo tem que ser especial
em oportunidades, em direitos, coisa e tal
seja branco, preto, verde, azul ou lilás
e daí, que diferença faz?
10
Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
Já pensou, sempre tão igual?
Tá na hora de ir em frente:
15 ser diferente é normal!

Todo mundo tem seu jeito singular
de crescer, aparecer e se manifestar
se o peso na balança é de uns quilinhos a mais
20 e daí, que diferença faz?

Todo mundo tem que ser especial
em seu sorriso, sua fé e no seu visual
se curte tatuagens ou pinturas naturais
25 e daí, que diferença faz?

Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
já pensou, sempre tão igual?
30 Tá na hora de ir em frente:
Ser diferente é normal!
(Adilson Xavier/ Vinícius Castro)

PROVA DE REDAÇÃO

Charge em nove quadrinhos com personagens no estilo Peanuts, em três linhas. Em cada linha, um personagem negro diz “Eu gosto de ser negro”, “Eu gosto de ser gay” e “eu gosto de ser mulher”, e o outro responde “Que legal.”; quando o personagem branco diz “Eu gosto de ser branco”, “Eu gosto de ser hétero” e “eu gosto de ser homem”, ouve “Racista.”, “Homofóbico” e “machista”.

A partir da leitura dos textos desta prova, da charge apresentada e de seus conhecimentos prévios, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma padrão escrita da língua portuguesa, posicionando-se criticamente em relação ao tema:
O combate aos preconceitos na atualidade.
Dê um título a sua Redação.
0 linhas · 0 palavrasEspaço na prova: Folha de rascunho com título e 30 linhas