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Colégio Militar de Brasília 2015

Questão 20 — Língua Portuguesa: Comparação entre Textos

Língua Portuguesa Comparação entre Textos

2015 Fundamental

Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

COMO TODO SANTO DIA

A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.

Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.

Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.

10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.

Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.

15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.

Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.

– Desculpa aí, Leitão.

Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.

20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.

Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.

Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.

Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.

Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.

– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.

35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.

– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...

Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.

Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.

Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?

Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.

50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.

(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)

TEXTO II

Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação

A palavra

Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).

Menino é diferente

A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.

Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?

25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”

30 Contar ou não, eis a questão

E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.

A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.

As faces da maldade

Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):

Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences

(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)

TEXTO III

Tira de Calvin em quatro quadrinhos. 1º quadrinho: um garoto de boné diz “EI, IDIOTA, SE VAI JOGAR CONTRA A GENTE, POR QUE NÃO VAI PARA O OUTRO TIME?!”; outro garoto diz “O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO LÁ ATRÁS? VOCÊ NÃO SABE COMO SE JOGA, NÃO?”. 2º quadrinho: Calvin diz “AH, QUAL É, CARAS, É SÓ UM JOGO! É PRA SER DIVERTIDO!”; o garoto de boné responde “JOGOS SÓ SÃO DIVERTIDOS QUANDO SE GANHA E VOCÊ VAI FAZER A GENTE PERDER, ATOLADO!”. 3º quadrinho: falas dirigidas a Calvin, que caminha cabisbaixo: “SE VOCÊ ERRAR DE NOVO, TÁ MORTO, CALVIN!”, “QUEM TE ENSINOU A JOGAR? FOI A SUA AVÓ?” e “DEIXA SÓ EU CONTAR PROS OUTROS TIMES!”. 4º quadrinho: Calvin diz a um adulto com prancheta “SR. LOCKJAW, EU NÃO QUERO MAIS JOGAR. O ESPÍRITO DE EQUIPE É MUITO FORTE.”; o adulto responde “TUDO BEM, DESISTENTE! ADEUS.”. Crédito na imagem: © 1990 Universal Press Syndicate; assinatura Watterson.

(In < http://4.bp.blogspot.com/calvin3.bmp > Acesso em 20 ago 2015)

Considerando o bullying, tratado nos três textos, é correto afirmar que
Selecione uma alternativa

Ver gabarito

Gabarito: E

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito de Língua Portuguesa — 6º ano — página 2