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Texto-base:
TEXTO 1
A DESCOBERTA
1 - Bom dia! Eu sou o pai do Buscapé.
- Do Buscapé?
- Do Otávio.
- Ah, do Otávio. Pois não.
5 - Ele é muito danado.
- Eu sei. Quer dizer, não. Ele é um menino, vamos dizer, hiperativo.
- “Hiper” é pouco.
- Eu não acho que...
- Por favor. Não precisa se constranger. Eu sou o pai e sei. Ele é um monstro.
10 - É.
- E é sobre isso que eu queria lhe falar.
- Ele contou que eu gritei com ele na aula...
- Não, não. Isso ele nem nota. Está acostumado. É que a mãe dele está
preocupada.
15 - Eu não me preocuparia. Todas as crianças são hiperativas nessa fase. O
Buscapé... O Otávio só é um pouco mais do que as outras. A sua senhora não deve...
- Mas ela está preocupada com outra coisa.
- O quê?
- O Buscapé não para de ler.
20 - Mas isso é ótimo.
- Desde que começou a ler, anda sempre com um livro debaixo do braço.
Quando a gente estranha o silêncio dentro de casa, vai ver é ele não fazendo barulho.
Está atirado no chão, soletrando um livro, muito compenetrado.
- Mas eu não vejo qual o problema.
25 - É a mãe dele que... Bom, ela sente falta.
- Do quê?
- Da agitação do Buscapé. Ela não está acostumada, entende? A ter um
intelectual em casa. Outro dia até brigou com ele.
- Por quê?
30 - Ele estava quieto demais. Ela gritou: “Eu não aguento mais. Quebra alguma
coisa!”.
- Mas eu não entendo o que eu posso...
- Bom, se a senhora pudesse, sei lá. Não digo desencorajar o Buscapé. Só dizer
que ele não precisa exagerar.
35 - Mas ele está descobrindo o mundo maravilhoso dos livros. Isso é formidável.
- É, só que a gente fica, não é... Com um certo ciúme...
VERÍSSIMO, L. F. A Descoberta. in O Santinho. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Vocabulário:
Hiperativo: excessivamente ativo.
TEXTO 2

BECK, A. Armandinho. Ed. Arte e Letras Comunicações, Florianópolis, 2014.
TEXTO 3
AULA DE LEITURA
01 A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
05 vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
que é hora do navegar;
e no jeito da pessoa,
10 se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
15 e no pêlo do cachorro,
que é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
20 se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
25 e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
30 e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.
AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengoçados. São Paulo: Ática, 1999. (Com adaptações para fins didáticos).
TEXTO 5
ESTUDOS COMPARAM COMPREENSÃO DE TEXTO DE QUEM LÊ LIVROS ELETRÔNICOS E DE PAPEL
01 O hábito de ler em meios digitais ainda é minoritário – menos de 5% dos livros
vendidos hoje no Brasil são e-books, enquanto o número nos EUA chega a 25% -, mas
cada vez mais pessoas aderem aos livros eletrônicos. Faz alguma diferença para o bem
ou para o mal? Comparações entre os dois tipos de leitura indicam um empate técnico.
05 Por um lado, é possível que ler uma narrativa num e-reader atrapalhe um pouco
a percepção que a pessoa tem da estrutura da história, ainda que não interfira em outros
aspectos. Por outro, a possibilidade de personalizar detalhes do texto parece ajudar quem
tem dificuldades de ler no papel.
A ligeira desvantagem do leitor digital foi identificada num estudo liderado por
10 Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, na Noruega. Ela dividiu 50 estudantes em
dois grupos – um tinha de ler a versão em papel de um conto, enquanto o outro lia o texto
num e-reader Kindle. Depois, tinham de responder a perguntas sobre o conto. A percepção
sobre os personagens da narrativa, por exemplo, não variou de forma significativa entre os
grupos, e sobre objetos da história foi até melhor entre quem lia via e-reader, mas os
15 usuários do Kindle sofreram mais para identificar a sequência correta de acontecimentos
na trama.
Já a equipe de Matthew Schneps, do departamento de educação científica do
Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (EUA), trabalhou com mais de cem
adolescentes com dislexia. A comparação foi entre ler em papel e em iPods Touch
20 configurados para mostrar de duas a três palavras por linha em letras grandes. O
resultado: os adolescentes com mais dificuldade para captar o som das palavras, bem
como os que tinham menos capacidade de atenção visual, tiveram melhora significativa na
velocidade de leitura e na compreensão.
A possibilidade de personalizar os aparelhos é um dos trunfos dos e-readers,
25 afirma Carla Viana Coscarelli, especialista em letramento digital da Faculdade de Letras
da Universidade Federal de Minas Gerais. “Do ponto de vista da acessibilidade, isso é um
achado. O mesmo vale para a conversão de texto escrito para áudio no caso de leitores
com deficiência visual”, compara. No entanto, no caso de leitores sem grandes
dificuldades, ela aponta que não há diferença entre os meios. “O trabalho cognitivo de
30 fazer interferências e perceber ideias implícitas é o mesmo”, diz. “A situação ainda é muito
fluida, porque os dois tipos de leitura continuam misturados, e essa transição vai ser
demorada”, diz Ana Elisa Ribeiro, professora do Centro Federal de Educação Tecnológica
de Minas Gerais.
Uma das variáveis que influenciam os hábitos de leitura é a relação da pessoa
35 com cada tipo de livro. E-readers e tablets têm tido impacto grande em quem lê textos
acadêmicos – nesse caso, a tendência é trabalhar só com o formato eletrônico. “Por outro
lado, vi um estudo interessante com romances populares femininos. Nesse caso, as
pessoas tendem a comprar em papel uma grande quantidade de títulos, em especial os
preferidos delas”, diz Ana Elisa.
40 Também não parece haver diferença no tempo de leitura entre os livros digitais
impressos, ou mesmo no nível de concentração. “Mesmo que você esteja ouvindo música
e lendo no tablet ao mesmo tempo, sua atenção só vai ter um único foco”, exemplifica Ana
Elisa.
“É uma faca de dois gumes”. Outros aplicativos podem acabar tirando você do
45 texto, mas você também pode usá-los para procurar uma palavra no dicionário, acessar
vídeos ou blogs sobre o tema. “A experiência de leitura não necessariamente fica mais
dispersa – pode se tornar mais aprofundada.”
LOPES, Reinaldo José. Colaboração para a Folha. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/09/1516515-estudos-comparam-coompreensao-de-texto-de-quem-le-livros-eletronicos-e-de-papel.shtml. Acesso em: 20 de setembro de 2017. (Com adaptações para fins didáticos).
Vocabulário:
Aplicativo: programa de computador concebido para acessar dados eletronicamente.
Blogs: páginas da internet em que são publicados conteúdos diversos.
Cognitivo: relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio.
E-book: livro eletrônico.
E-reader: aparelho projetado para leitura digital.
iPods Touch: aparelho eletrônico que é utilizado por meio do toque.
Kindle: aparelho eletrônico para ler livros digitais.
Tablets: tipo de computador portátil, de tamanho pequeno, fina espessura e com tela sensível ao toque.
A partir da abordagem do tema “leitura” nos Textos 1, 2, 3 e 5, marque a alternativa correta.
TEXTO 1
A DESCOBERTA
1 - Bom dia! Eu sou o pai do Buscapé.
- Do Buscapé?
- Do Otávio.
- Ah, do Otávio. Pois não.
5 - Ele é muito danado.
- Eu sei. Quer dizer, não. Ele é um menino, vamos dizer, hiperativo.
- “Hiper” é pouco.
- Eu não acho que...
- Por favor. Não precisa se constranger. Eu sou o pai e sei. Ele é um monstro.
10 - É.
- E é sobre isso que eu queria lhe falar.
- Ele contou que eu gritei com ele na aula...
- Não, não. Isso ele nem nota. Está acostumado. É que a mãe dele está
preocupada.
15 - Eu não me preocuparia. Todas as crianças são hiperativas nessa fase. O
Buscapé... O Otávio só é um pouco mais do que as outras. A sua senhora não deve...
- Mas ela está preocupada com outra coisa.
- O quê?
- O Buscapé não para de ler.
20 - Mas isso é ótimo.
- Desde que começou a ler, anda sempre com um livro debaixo do braço.
Quando a gente estranha o silêncio dentro de casa, vai ver é ele não fazendo barulho.
Está atirado no chão, soletrando um livro, muito compenetrado.
- Mas eu não vejo qual o problema.
25 - É a mãe dele que... Bom, ela sente falta.
- Do quê?
- Da agitação do Buscapé. Ela não está acostumada, entende? A ter um
intelectual em casa. Outro dia até brigou com ele.
- Por quê?
30 - Ele estava quieto demais. Ela gritou: “Eu não aguento mais. Quebra alguma
coisa!”.
- Mas eu não entendo o que eu posso...
- Bom, se a senhora pudesse, sei lá. Não digo desencorajar o Buscapé. Só dizer
que ele não precisa exagerar.
35 - Mas ele está descobrindo o mundo maravilhoso dos livros. Isso é formidável.
- É, só que a gente fica, não é... Com um certo ciúme...
VERÍSSIMO, L. F. A Descoberta. in O Santinho. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Vocabulário:
Hiperativo: excessivamente ativo.
TEXTO 2
BECK, A. Armandinho. Ed. Arte e Letras Comunicações, Florianópolis, 2014.
TEXTO 3
AULA DE LEITURA
01 A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
05 vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
que é hora do navegar;
e no jeito da pessoa,
10 se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
15 e no pêlo do cachorro,
que é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
20 se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
25 e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
30 e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.
AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengoçados. São Paulo: Ática, 1999. (Com adaptações para fins didáticos).
TEXTO 5
ESTUDOS COMPARAM COMPREENSÃO DE TEXTO DE QUEM LÊ LIVROS ELETRÔNICOS E DE PAPEL
01 O hábito de ler em meios digitais ainda é minoritário – menos de 5% dos livros
vendidos hoje no Brasil são e-books, enquanto o número nos EUA chega a 25% -, mas
cada vez mais pessoas aderem aos livros eletrônicos. Faz alguma diferença para o bem
ou para o mal? Comparações entre os dois tipos de leitura indicam um empate técnico.
05 Por um lado, é possível que ler uma narrativa num e-reader atrapalhe um pouco
a percepção que a pessoa tem da estrutura da história, ainda que não interfira em outros
aspectos. Por outro, a possibilidade de personalizar detalhes do texto parece ajudar quem
tem dificuldades de ler no papel.
A ligeira desvantagem do leitor digital foi identificada num estudo liderado por
10 Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, na Noruega. Ela dividiu 50 estudantes em
dois grupos – um tinha de ler a versão em papel de um conto, enquanto o outro lia o texto
num e-reader Kindle. Depois, tinham de responder a perguntas sobre o conto. A percepção
sobre os personagens da narrativa, por exemplo, não variou de forma significativa entre os
grupos, e sobre objetos da história foi até melhor entre quem lia via e-reader, mas os
15 usuários do Kindle sofreram mais para identificar a sequência correta de acontecimentos
na trama.
Já a equipe de Matthew Schneps, do departamento de educação científica do
Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (EUA), trabalhou com mais de cem
adolescentes com dislexia. A comparação foi entre ler em papel e em iPods Touch
20 configurados para mostrar de duas a três palavras por linha em letras grandes. O
resultado: os adolescentes com mais dificuldade para captar o som das palavras, bem
como os que tinham menos capacidade de atenção visual, tiveram melhora significativa na
velocidade de leitura e na compreensão.
A possibilidade de personalizar os aparelhos é um dos trunfos dos e-readers,
25 afirma Carla Viana Coscarelli, especialista em letramento digital da Faculdade de Letras
da Universidade Federal de Minas Gerais. “Do ponto de vista da acessibilidade, isso é um
achado. O mesmo vale para a conversão de texto escrito para áudio no caso de leitores
com deficiência visual”, compara. No entanto, no caso de leitores sem grandes
dificuldades, ela aponta que não há diferença entre os meios. “O trabalho cognitivo de
30 fazer interferências e perceber ideias implícitas é o mesmo”, diz. “A situação ainda é muito
fluida, porque os dois tipos de leitura continuam misturados, e essa transição vai ser
demorada”, diz Ana Elisa Ribeiro, professora do Centro Federal de Educação Tecnológica
de Minas Gerais.
Uma das variáveis que influenciam os hábitos de leitura é a relação da pessoa
35 com cada tipo de livro. E-readers e tablets têm tido impacto grande em quem lê textos
acadêmicos – nesse caso, a tendência é trabalhar só com o formato eletrônico. “Por outro
lado, vi um estudo interessante com romances populares femininos. Nesse caso, as
pessoas tendem a comprar em papel uma grande quantidade de títulos, em especial os
preferidos delas”, diz Ana Elisa.
40 Também não parece haver diferença no tempo de leitura entre os livros digitais
impressos, ou mesmo no nível de concentração. “Mesmo que você esteja ouvindo música
e lendo no tablet ao mesmo tempo, sua atenção só vai ter um único foco”, exemplifica Ana
Elisa.
“É uma faca de dois gumes”. Outros aplicativos podem acabar tirando você do
45 texto, mas você também pode usá-los para procurar uma palavra no dicionário, acessar
vídeos ou blogs sobre o tema. “A experiência de leitura não necessariamente fica mais
dispersa – pode se tornar mais aprofundada.”
LOPES, Reinaldo José. Colaboração para a Folha. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/09/1516515-estudos-comparam-coompreensao-de-texto-de-quem-le-livros-eletronicos-e-de-papel.shtml. Acesso em: 20 de setembro de 2017. (Com adaptações para fins didáticos).
Vocabulário:
Aplicativo: programa de computador concebido para acessar dados eletronicamente.
Blogs: páginas da internet em que são publicados conteúdos diversos.
Cognitivo: relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio.
E-book: livro eletrônico.
E-reader: aparelho projetado para leitura digital.
iPods Touch: aparelho eletrônico que é utilizado por meio do toque.
Kindle: aparelho eletrônico para ler livros digitais.
Tablets: tipo de computador portátil, de tamanho pequeno, fina espessura e com tela sensível ao toque.
A partir da abordagem do tema “leitura” nos Textos 1, 2, 3 e 5, marque a alternativa correta.