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Colégio Militar de Porto Alegre 2017

Questão 16 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto — Comparação entre Textos

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Comparação entre Textos

2017 Fundamental

Colégio Militar de Porto Alegre · 6º Ano / Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto 4: A margem e o centro
A Ilha dos Marinheiros desafia o imaginário sobre a cidade de Porto Alegre, a sétima
capital mais rica do Brasil. Ainda que esteja a cerca de 7 quilômetros do centro da cidade, o
bairro da zona norte mantém uma relação distante com o cotidiano da capital, como se as
águas do lago Guaíba impusessem uma distância que é muito mais do que física. Em plena
05 capital gaúcha, encontram-se palafitas mambembes que sustentam casebres construídos com
sobras de demolições, madeira e calhas reaproveitadas. Cerca de 850 famílias dividem ruas
apertadas, sem asfalto ou calçamento. As crianças, os cães e os carros disputam o espaço do
jeito que dá. A população é, em sua maioria, formada por descendentes de pescadores que
trabalham no local ou em bairros próximos. Formam uma comunidade
10 unida, fazendo referência a Porto Alegre como “lá, na cidade”, e tratada pelos habitantes do
centro como se vivessem em uma localidade longínqua, quase folclórica. “É um local com
cotidiano diferente do resto da cidade, marcado por uma relação com o ambiente que é muito
própria. A água serve como uma zona de fronteira, que demarca os limites dessa relação com
a cidade”, explica Rafael Victorino Devos, professor de Antropologia da
15 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que trabalhou por cinco anos na ilha, em sua pós-
graduação.
(...)
Todo aquele rio ali do lado
Já o calor é um elemento tentador e pernicioso no verão. Ana Paula Castro, 22 anos,
20 mãe de Diuly Castro, de 5, e de Helena, de 10 meses, explica que é difícil para as crianças
deixar de “aproveitar todo aquele rio ali do lado”. Como ela, muitos moradores admitem
frequentar a “prainha” – uma faixa de areia com acesso a uma margem rasa do Guaíba –,
embora a água que representa um dos poucos momentos de lazer dessa população seja
sabidamente muito poluída.
https://apublica.org/2015/08/ilha-dos-marinheiros-a-margem-de-porto-alegre/- Jornal

Texto 2: A Ilha Perdida
Na fazenda do padrinho, perto de Taubaté, onde Vera e Lúcia gostavam de passar as
férias, corre o rio Paraíba. Rio imenso, silencioso e de águas barrentas. Ao atravessar a fazenda
ele fazia uma grande curva para a direita e desaparecia atrás da mata. Mas, subindo-se ao
morro mais alto da fazenda, tornava-se a avistá-lo a uns dois quilômetros de
05 distância e nesse lugar, bem no meio do rio, via-se uma ilha que na fazenda chamavam de
«Ilha Perdida». Solitária e verdejante parecia mesmo perdida entre as águas volumosas.
Quico e Oscar os dois filhos do padrinho, ficavam horas inteiras sentados no alto do
morro e conversando a respeito da ilha. Quem viveria lá? Seria habitada? Teria algum bicho
escondido na mata? Assim à distância, parecia cheia de mistérios, sob as copas altíssimas
10 das árvores; e as árvores eram tão juntas umas das outras, que davam a impressão de que
não se poderia caminhar entre elas. Oscar suspirava e dizia:
— Se algum dia eu puder ver a ilha de perto, vou mesmo.
Quico perguntava.
— Não tem medo? E se tiver alguma onça morando lá?
15 — Onça? Não pode ter. Como é que onça vai parar lá no meio do rio?
— Nadando. Ouvi dizer que onça nada muito bem.
Oscar respondia, pensativo:
— Pode ser. Todos os bichos sabem nadar, só a gente precisa aprender; mas eu
queria ver o que há na ilha. Falam tanta coisa...
20 E ficavam olhando a ilha perdida. Se falavam com o pai, este prometia:
— Quando forem mais velhos, faremos uma excursão à ilha. Arranjaremos canoas
apropriadas e iremos até lá.
Os dois meninos chegavam muitas vezes a sonhar com a ilha.
Por ocasião de umas férias, justamente em fins de novembro, chegaram à fazenda
25 Henrique e Eduardo, os dois primos mais velhos de Oscar e Quico.
Eram dois meninos de doze e quatorze anos, fortes e valentes. Montavam muito bem
e sabiam nadar. Logo nos primeiros dias, percorreram sozinhos grande parte da fazenda;
subiram e desceram morros, andaram por toda parte e ao verem o riozinho, onde Vera e Lúcia
tinham ido pescar uma vez com padrinho, apelidaram-no de «filhote do
30 Paraíba».
(...)
Uma tarde os quatro meninos ficaram no alto do morro olhando a «ilha perdida».
Como seria bom se tivessem uma canoa e pudessem ir ver o que havia na ilha.
Eduardo, de espírito mais prático, foi logo dizendo:
35 — Que pode haver lá? Árvores, cipós, ninhos de passarinhos...
Henrique, com a mão no queixo, olhava pensativo em direção da ilha. Depois disse:
— Vou ver se arranjo uma canoa por aí, nem que seja emprestada ou alugada.
Impossível que ninguém tenha uma canoa; eu sei remar, aprendi em Santo Amaro com uns
primos.
40 Os olhos de Quico brilharam de contentamento:
— Você sabe mesmo remar?
Oscar disse uma frase que esfriou o entusiasmo de todos:
— Nem pensem nisso, papai não deixa. Já pedi muitas vezes e ele não deixa.
Continuaram a olhar o rio. Henrique perguntou:
45 — Por que chamam de Ilha Perdida? Quico explicou:
— Ninguém sabe direito. Decerto porque parece mesmo perdida no meio do rio.
Quando viemos para cá, já a chamavam assim.
(...)
— Bento, você sabe se mora gente naquela ilha? Bento olhou em direção da ilha e
50 coçou a testa:
— Há muito tempo ouvi dizer que morava lá um homem ruim, mas nunca vi nada,
não sei se é verdade.
Eduardo levantou-se e chegou mais perto de Bento:
— Você nunca viu mesmo nada? Nem um sinal de que há gente lá?
55 Bento hesitou, olhou o chão, tirou o capinzinho da boca e falou:
— Pra dizer a verdade, um dia eu vi uma coisa lá... Os quatro entreolharam-se. Quico
pediu:
— O que foi? Conte, conte.
— Vi uma fumacinha saindo do meio daquelas árvores mais altas lá bem à direita,
60 estão vendo? Daquele lugarzinho vi uma vez sair fumaça.
— Só uma vez? Veja se lembra, Bento.
— Só uma vez, mas era uma fumaça comprida que ia subindo, subindo até às nuvens.
Oscar perguntou:
— E você não teve vontade de ir ver o que era? (...continua)
A Ilha Perdida. Maria José Dupré. Ed. Ática.

Comparando os Textos 4 (A margem e o Centro) e 2 (A Ilha Perdida), pode-se afirmar que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Comparação entre o Texto 4 (reportagem) e o Texto 2 (ficção).

Pelo gabarito, a comparação contrapõe a ilha real da reportagem, tratada como lugar distante e 'quase folclórico' pelos moradores do centro, à ilha do conto. A resolução da questão se apoia nesse contraste entre o texto jornalístico e o ficcional. Atenção: a justificativa é de difícil sustentação pelo texto e segue o gabarito oficial.

Análise das alternativas

A) Só o Texto 4 fala de poluição; o Texto 2 fala de águas barrentas, não poluídas. B) Nenhum dos textos afirma haver animais perigosos nas ilhas; no Texto 2 isso é só especulação. D) A ilha do Texto 4 é real (Porto Alegre) e a do Texto 2 é ficcional, o inverso do que a alternativa diz. E) Nenhum texto sustenta que ninguém deveria morar nas ilhas; no Texto 4 há 850 famílias vivendo na ilha.

Referência: Interpretação — comparação entre textos

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ver gabarito

Gabarito: C

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito — Língua portuguesa — página 1