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Colégio Militar de Santa Maria 2025

Questão 24 — Língua Portuguesa: Interpretação de Texto — Comparação entre Textos

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Comparação entre Textos

Colégio Militar de Santa Maria 2025 Fundamental

Colégio Militar de Santa Maria · Admissão ao 1º Ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Leia a crônica “Comida de Vó”, para responder aos itens 21 a 24.

Comida de Vó

Tardes de domingo em um apartamento que se tornava pequeno, haja vista a quantidade de primos de minha idade, alguns mais velhos, além dos tios, tias, vovô e vovó, bastante conversa, beijos e abraços.
Um encontro permeado de muito afeto no qual o ponto alto, pelo menos para mim, era perceber o amor que vovó Ivone transmitia por meio daquela mesa posta. Para ela, o mais importante era que as crianças estivessem felizes e para isso tínhamos que estar bem alimentados. Ah... E essa missão ela cumpria com louvor.
Nunca serei capaz de descrever, de modo fidedigno, o aroma que exalava da abertura do forno, aquela travessa de purê (vovó chamava pirê, e eu achava o máximo) acompanhada de uma carne assada, digo acompanhada porque aquele purê, em si, era meu próprio banquete.
Vovó o preparava de um modo que sua textura lembrava uma suave torta, de tenra firmeza no centro aliada a uma fina crosta crocante e saborosa que se formava na parte mais próxima às laterais da travessa, aquele queimadinho, sabe? Sua coloração era ainda especial por ser diferente dos que eu já experimentara em meu parco repertório gastronômico de um menino de cinco anos, que provara purês de cor de batata mesmo, claros, brancos, pálidos. Já o de vovó ia na contramão e se apresentava com uma cor amarelo solar e radiante, minha mente pueril pode até ter poetizado a cor, haja vista a força gustativa, mas sem dúvida, aquele purê era “bronzeado”, tinha cor, além de sabor e textura.
Uma verdadeira iguaria para aquele menininho que aguardava ansiosamente a oportunidade de visitá-la, receber aquele afago, beijo, carinho, mas sobretudo o amor que era devotado à família e que, indubitavelmente, estava materializado em um encontro com a enorme prole. O seu sorriso, em um almoço de domingo, permanecerá, como um legado, sempre no meu coração, Vovó Ivone.

Ítalo Borges
(Fonte: https://saboresdacidade.com/. Acesso em 09/06/25)

Leia o texto “Comida de Afeto”, para responder aos itens 24 e 25.

Comida de Afeto

Estou gravando um quadro para o youtube da Revista Nove chamado Toque de Mestre, em que eu me sento para bater papo com alguns chefs de Santos sobre comida e afeto.
Tem sido uma experiência interessante, principalmente porque depois eu me acabo em toda essa comida boa. Mas, falando sério, com a meia dúzia de chefs com os quais já me sentei – vem muito mais por aí – é possível encontrar um fio condutor que define a comida afetiva: a simplicidade.
(...)
Mas é o simples que abraça a alma. A comida com afeto alimenta mais que sacia, ela restaura – e, aliás, restaurant, em francês, é justamente ‘aquilo que restaura’. E comida simples não é comida sem graça, ao contrário, cozinhar com simplicidade é encontrar harmonia em poucos ingredientes que, juntos no preparo, contam uma história.
É isso que busco com o Toque de Mestre: provocar os chefs a buscarem as mais queridas memórias e convertê-las em um prato com repertório, que resgate suas lembranças afetivas e, com isso, leve ao comensal um prato restaurador.
No universo está tudo interligado, tudo é energia, desde as ervas e o tomate, que trazem as forças telúricas (da terra) ou os peixes, com toda a riqueza da água, até o calor das mãos e o sentimento que se emana durante o preparo.
(...)
E quando alguém prepara um prato afetivo, que reaviva memórias felizes, toda aquela energia chega à comida, potencializa sabores e aromas e cria ali uma aura feliz e contagiante. É isso que faz uma simples massa com manteiga, alho e queijo valerem muito mais que um prato de três cifras. Não é poesia e nem é romantizar a cozinha, ao contrário, é trazer leveza para esse pesado ambiente que são os bastidores de restaurantes.
(...)
Todos os chefs com os quais conversei até agora tiveram o despertar para a cozinha em casa, com mães, tias, avós e bisavós. Se apaixonaram pela arte de cozinhar comendo em casa, a comida de afeto, de restauro e, muitas vezes, na escassez. Porque, de novo, comida simples está longe de significar comida sem graça.
(...)

Diego Brígido
(Fonte: https://revistanove.com.br/. Acesso em 09/06/25)

Leia o trecho abaixo, extraído de Comida de Afeto, para responder ao item 24.

“E quando alguém prepara um prato afetivo, que reaviva memórias felizes, toda aquela energia chega à comida, potencializa sabores e aromas e cria ali uma aura feliz e contagiante. É isso que faz uma simples massa com manteiga, alho e queijo valerem muito mais que um prato de três cifras. Não é poesia e nem é romantizar a cozinha, ao contrário, é trazer leveza para esse pesado ambiente que são os bastidores de restaurantes.”

Considere as seguintes assertivas em relação aos textos Comida de Vó e Comida de afeto.
I. O purê de Vó Ivone remete a uma comida que traz boas lembranças ao narrador em Comida de Vó.
II. No trecho acima, retirado de Comida de afeto, a ideia principal é apresentar a tensão dos chefs de cozinha em restaurantes famosos.
III. O fragmento acima apresenta reflexões de quem está resgatando memórias afetivas por meio da comida; enquanto que, em Comida de Vó, foram experiências já vividas pelo narrador quando criança.
IV. No texto “Comida de Afeto” e na crônica “Comida de Vó”, há um olhar crítico sobre o fazer culinário, porém aquele é mais brando do que esse.

Marque a alternativa correta:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Estão corretas apenas as assertivas I e III.

I está correta, pois o purê da avó traz boas lembranças ao narrador. III está correta, pois o trecho de 'Comida de Afeto' é uma reflexão sobre resgatar memórias, e a crônica narra uma vivência da infância.

Análise das alternativas

II está errada, pois o trecho trata de leveza e afeto na cozinha, não de tensão dos chefs. IV está errada, pois nenhum dos textos faz olhar crítico sobre o fazer culinário. As alternativas A, B, C e E incluem II ou IV.

Referência: Interpretação e comparação de textos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Gabarito: D

Fonte: Gabarito preliminar: Gabarito - 1º Ano do Ensino Médio — página 1