Sem padrão de resposta — pratique a escrita
TEXTO I
Capitalismo selvagem, consumismo e negligência
“Somente quando for cortada a última árvore, poluído o último rio e pescado o último peixe é que o homem vai perceber que não pode comer dinheiro.” Essa frase foi escrita por um índio em uma carta a um ex-presidente americano que desejava comprar terras indígenas. Ela evidencia bem o quanto o ser humano está importando-se com o meio ambiente e o quanto as ações dele são irreversíveis. Em todas as épocas, o que se viu foi um homem preocupado com a urbanização e com o conforto advindo desta em detrimento da natureza e, por conseguinte, de sua saúde.
O mais comum é pensar nessa urbanização como a transformação do verde em cinza, mas ela também ocorre por atitudes consumistas estimuladas pelo capitalismo desenfreado, que eleva a produção de lixo no planeta e consequentemente contamina o meio ambiente. O próprio produto industrializado, concebido para facilitar a vida das pessoas, é fabricado com material e tecnologia que obrigam a sua substituição constante. Além disso, o consumo de produtos altamente poluidores, como automóveis, é estimulado por meio da diminuição nos impostos e na concessão de crédito à população.
Uma consequência inexorável dessa conduta é a contaminação do planeta e a perda da saúde que essa degradação ocasiona. Para se ter uma ideia, um estudo da Universidade de San Diego envolvendo recém-nascidos mostrou a presença de mais de cem substâncias químicas que não pertencem ao ser humano no sangue do cordão umbilical. O descarte irregular de lixo é uma forma de provocar essa contaminação, pois placas de aparelhos eletrônicos, os quais são dispensados livremente em lixões, contêm substâncias como mercúrio e chumbo que contaminam o solo e os lençóis freáticos.
Portanto, atitudes que superestimam o progresso e a expansão econômica, porém com ação deletéria na natureza, prejudicam diretamente a saúde dos seres humanos. Diante disso, é preciso que o poder público crie leis que obriguem tanto a população a fazer a triagem do lixo que produz quanto as lojas a receberem produtos já velhos que venderam à população com o objetivo de darem a destinação correta a eles. Evidentemente, se não houver equipes de fiscalização e investigação dos descartes realizados, todo esse trabalho será em vão e o planeta continuará padecendo alterações pela negligência humana.
(Texto adaptado) MATOS, João. Capitalismo selvagem, consumismo e negligência. Redação Mania. Disponível em: <https://redacaomania.com/redacao-sobre-meio-ambiente>. Acesso em: 02 out. 2019.
TEXTO II
Disponível em: <https://www.mundolivrefm.com.br>. Acesso em: 06 ago. 2019.
TEXTO III
As Baleias
(Compositor e intérprete: Roberto Carlos)
Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor nesse momento
Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão
Como é possível que você tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro
Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor
Disponível em: <www.vagalume.com.br>. Acesso em: 06 ago. 2019.
TEXTO IV
Impactos ambientais do acidente em Mariana (MG)
Os impactos ambientais do acidente em Mariana (MG), causados nos ecossistemas afetados e na economia da região, são incalculáveis e, em alguns casos, irreversíveis.
No dia 05 de novembro de 2015, a barragem do Fundão, da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, rompeu-se, causando uma grande enxurrada de lama. A lama devastou o distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, em Minas Gerais, destruindo casas e ocasionando a morte de 19 pessoas, incluindo moradores e funcionários da própria mineradora. Além das perdas humanas e materiais, a mesma lama que escapou em razão do rompimento das barragens provocou um grave impacto ambiental.
Impactos ambientais
O rompimento da barragem do Fundão liberou o equivalente a 25 mil piscinas olímpicas de resíduos. A mistura, que era composta, segundo a Samarco, por óxido de ferro, água e muita lama, não era tóxica, mas capaz de provocar muitos danos. Inicialmente, pensou-se que a barragem de Santarém também havia sido afetada, no entanto, o que ocorreu foi a passagem dos rejeitos da outra (Fundão) por cima dessa barragem.
A liberação da lama provocou a pavimentação de uma grande área. Isso acontece porque a lama seca forma uma espécie de cimento, onde nada cresce. Vale destacar que, em razão da grande quantidade de resíduos, a secagem completa do material (que não contém matéria orgânica, sendo, portanto, infértil) poderá demorar anos. Enquanto isso, nada também poderá ser construído no local.
A enxurrada de lama atingiu o Rio Gualaxo – afluente do Rio Carmo, que deságua no Rio Doce e que, por sua vez, segue em direção ao Oceano Atlântico, no Espírito Santo. O impacto mais perceptivo no ambiente aquático foi a morte de milhares de peixes, que sucumbiram em razão da falta de oxigênio na água e da obstrução de suas brânquias. Além da morte de peixes, micro-organismos e outros seres vivos também foram afetados, o que destruiu completamente a cadeia alimentar em alguns ambientes atingidos. Entretanto, não é somente a morte dos organismos vivos que afetou os rios da região; a quantidade de lama liberada provocou assoreamento, desvio de cursos de água e levou até mesmo o soterramento de nascentes.
Muitos biólogos estimam que o Rio Doce precisará, em média, de 10 anos para recuperar-se do terrível impacto. Outros pesquisadores, porém, afirmam que o impacto foi tão profundo que é impossível estimar um prazo para o restabelecimento do equilíbrio da Bacia.
Além de causar a morte no interior dos rios, a lama provocou a morte de toda a vegetação próxima à região. Uma grande quantidade de mata ciliar foi completamente destruída. Os resíduos da mineração também afetaram o solo, causando sua desestruturação química e afetando o pH da terra. Essa alteração no solo dificulta o desenvolvimento de espécies que ali viviam, modificando completamente a vegetação local.
Como a lama afetou o Rio Doce e seguiu em direção ao Espírito Santo, também houve impacto ambiental nos ecossistemas marinhos do litoral. Um dos principais impactos observados foi nos fitoplânctons e zooplânctons que vivem flutuando na água e constituem a base da cadeia alimentar.
População afetada
Além da grande quantidade de pessoas que perderam suas casas e outros bens materiais em Mariana, os sobreviventes enfrentaram dificuldades relativas, principalmente, à falta de água. Isso aconteceu porque grande parte das cidades atingidas dependia dos rios afetados para o abastecimento, que, após o acidente, apresentaram água imprópria para o consumo.
Não foi apenas a população de Mariana que sofreu com as consequências do desastre, mas, sim, toda a população próxima ao Rio Doce. Índios da tribo indígena Krenak, que possuem reserva cortada pelo rio, na época do acidente, relataram estar sem água para consumo, banho e limpeza de seus objetos, por exemplo. Além do mais, não podemos nos esquecer, também, de todas as pessoas que retiravam do rio o sustento para suas famílias.
Impactos do acidente de Mariana em números
De acordo com o Governo Federal, o acidente afetou: 663 km de rios e córregos; 1469 hectares de vegetação; 207 das 251 edificações de Bento Rodrigues; 600 famílias, as quais ficaram desabrigadas.
(Texto adaptado) DOS SANTOS, V. S. Impactos ambientais do acidente em Mariana (MG). Brasil Escola. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/biologia/impactos-ambientais-acidente-mariana-mg.htm>. Acesso em: 02 out. 2019.
TEXTO V
(Texto adaptado). Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/>. Acesso em: 06 ago. 2019.
TEXTO VI
Disponível em: <https://g1.globo.com/pa/para/noticia/laudo-confirma-vazamento-de-rejeitos-de-mineradora-em-barcarena-no-para.ghtml>. Acesso em: 02 out. 2019.
2ª PARTE – PROPOSTA DE REDAÇÃO (3,0 PONTOS)
A partir da leitura dos textos motivadores, disponíveis na prova, que retratam questões ambientais, e, com o intuito de fixar conhecimentos construídos ao longo das leituras, produza um texto dissertativo-argumentativo, em prosa, sobre o tema: “Desastres ambientais: ações preventivas de acidentes em barragens”.
Ao desenvolver sua produção, selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões sobre o tema, atentando-se à linguagem do texto. Sua redação deve ter um título, seguir os padrões de referência em caso de citações (não ultrapassar o limite de 3 citações), ter no mínimo 25 linhas e no máximo 30, além de seguir as orientações abaixo.
Mínimo de 25 linhas e máximo de 30 linhas; título obrigatório; no máximo 3 citações, com os padrões de referência.
ORIENTAÇÕES
1. Escreva o texto na variedade padrão (norma culta) da língua portuguesa.
2. Construa, no mínimo, 4 (quatro) parágrafos para o seu texto.
3. Apresente letra legível (textos não compreensíveis serão penalizados).
4. Além do título, utilize a estrutura do texto dissertativo-argumentativo: introdução (apresentação da tese), desenvolvimento (argumentação) e conclusão (retomada da tese por síntese ou proposta de intervenção).
5. Mantenha fidelidade ao tema e à tipologia textual solicitados na proposta.
6. Caso fuja ao tema ou ao tipo de texto solicitado, será atribuído grau zero a sua produção textual.
7. Use a FOLHA DE RASCUNHO para planejar seu texto, porém para efeito de avaliação, produza a versão final do texto na FOLHA DE REDAÇÃO, constante do CADERNO DE REDAÇÃO (segunda parte), usando caneta de TINTA AZUL ou PRETA.
8. Se não tiver seu texto escrito na FOLHA DE REDAÇÃO, sua redação não será corrigida, perdendo a pontuação referente a essa parte.
9. Não faça marcas, sinais ou qualquer tipo de rasura que possa identificá-lo (a) na FOLHA DE REDAÇÃO.
10. Caso se identifique na FOLHA DE REDAÇÃO, terá a sua prova anulada e não corrigida.