Gabarito disponível
Texto I
Taquicardia a dois
Clarice Lispector
1 Estava minha amiga falando comigo ao telefone. Eis senão quando entra-lhe pela sala
adentro um passarinho. Minha amiga reconheceu: era um sabiá. A empregada se assustou, minha
amiga ficou surpresa. Era preciso que ele achasse o caminho da janela para ir embora e escapar da
prisão da sala. Depois de esvoaçar muito, pousou num quadro acima da cabeça de minha amiga que
5 continuou o telefonema, porém mais atenta ao sabiá do que às palavras.
Foi quando ela sentiu uma coisa pelas costas nuas – era verão, o vestido não tinha costas: o
sabiá tinha-se aninhado nela e parecia estar muito bem. É preciso dizer que minha amiga tem uma
voz muito suave. Ela sabia que qualquer movimento súbito seu, e o sabiá se assustaria quase
mortalmente. Desligou o telefone.
10 Também é preciso dizer que minha amiga tem mão e jeito leves, é capaz de segurar a corola
de uma flor sem fazê-la murchar. Foi com seu jeito leve que pegou no sabiá, que se deixou pegar.
E lá ficou de sabiá na mão. O coraçãozinho do sabiá batia em louca taquicardia. E o pior é
que minha amiga estava toda taquicárdica. Ali, pois, ficaram os dois tremendo por dentro: a amiga
sentindo o próprio coração palpitar depressa e na mão sentindo o bater apressadinho e
15 desordenado do sabiá.
Então ela se levantou devagar para não assustar o que estava vivo na sua mão. Chegou junto
da janela. O sabiá compreendeu. Minha amiga espalmou a mão, onde o sabiá permaneceu por uns
instantes. E de súbito deu uma voada lindíssima de tanta liberdade.
Disponível: <https://contobrasileiro.com.br/taquicardia-a-dois-cronica-de-clarice-lispector> Acesso em 30 de set. de 2022.
Texto-base:
Texto II
O pardalzinho
Manuel Bandeira
1 O pardalzinho nasceu
Livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos.
5 Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão,
O pardalzinho morreu.
O corpo Sacha enterrou
No jardim; a alma, essa voou
10 Para o céu dos passarinhos!
Disponível: <https://www.tudoepoema.com.br/manuel-bandeira-o-pardalzinho/> Acesso em 30 de set. de 2022.
A partir de uma leitura comparativa da crônica de Clarice Lispector e do poema de Manuel Bandeira, Pode-se afirmar que
Resolução comentada
Ambos os textos mostram que a liberdade é o grande anseio dos pássaros.
Na crônica, o sabiá só encontra paz ao voar "de tanta liberdade" depois de libertado; no poema, o pardal "nasceu livre" e morre porque a casa era "uma prisão". Os dois textos apontam a liberdade como necessidade essencial das aves.
Análise das alternativas
A) Errada: os finais são diferentes (voo x morte). B) Errada: Sacha não compreendeu a necessidade do pássaro. D) Errada: os textos não afirmam superioridade humana. E) Errada: não há desconfiança; há delicadeza e cuidado.
Referência: Comparação entre textos.
Resolução comentada do VaiConcursos.