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TEXTO I
A SUMAÚMA
No início era escuro e frio. Não havia dia. Era sempre noite.
Uma imensa árvore – a sumaúma –, de tronco muito alto e com os galhos cobertos de folhas, cobria tudo, não deixando entrar a luz.
Dois irmãos da aldeia Ticuna, o menino Ipi e a menina Tetchi, decidiram investigar o assunto. Pensaram muito em qual seria a melhor atitude a tomar, até que tiveram a ideia de atirar uma semente de açaí na sumaúma, para ver se ela atravessava a copa da árvore.
A semente passou pela árvore, abrindo uma fresta na folhagem. Através dela, os irmãos conseguiram ver que um bicho-preguiça prendia os galhos da sumaúma no céu. Então, pegaram o cesto cheio de sementes de açaí que tinham levado e atiraram uma semente atrás da outra na tentativa de soltar os galhos e abrir espaço para deixar entrar a luz.
As sementes de açaí foram parar no céu e se transformaram em estrelas, mas a luz não entrou pelas folhas da árvore. A escuridão continuava.
Ipi e Tetchi tiveram outra ideia para ver se conseguiam a luz: convocaram todos os animais da floresta para derrubar os galhos da árvore.
Primeiro, reuniram as aves: a arara-vermelha, o cardeal, a arara-azul, o pia-pouco, o mutum-cavalo, o papagaio e a ararajuba. Depois, chamaram o macaco e o sapo. Em seguida, foi a vez da capivara, da cutia e do maior bicho de todos: a anta. E, por fim, foram atrás dos animais mais temidos: a ariranha, a jiboia e a onça. Até o jacaré foi ajudar.
As aves e os animais menores escalaram a árvore para balançar os galhos. Os bichos mais pesados ficaram no chão para sacudi-la. Todos tentaram diversas vezes, mas nada conseguiram. Nenhum galho se mexeu.
O pica-pau ficou um tempão bicando o tronco da sumaúma, mas isso também não adiantou nada.
Ipi e Tetchi se despediram dos bichos e voltaram para a aldeia. Lá, propuseram uma competição: o índio que conseguisse atirar formigas-de-fogo nos olhos do bicho-preguiça se casaria com a irmã mais velha deles, Aucana, que era muito bonita.
Os rapazes mais altos e mais fortes da aldeia tentaram subir na árvore, mas nenhum deles conseguiu chegar ao topo, onde estava o bicho.
Então, apareceu Taine, um índio miúdo. Ninguém imaginava que ele conseguisse escalar aquele tronco tão alto. Mas Taine foi subindo, subindo, subindo, passou do meio do caminho, de onde os outros tinham voltado, e continuou, sempre em frente, até chegar ao topo. Lá no alto, jogou as formigas-de-fogo nos olhos do bicho-preguiça. Ele ficou tão desesperado que soltou os galhos da árvore para se livrar das formigas.
Os galhos baixaram e a luz apareceu, iluminando tudo: a mata, os rios, a aldeia. Todos puderam enxergar as plantas e as frutas que havia na floresta.
Para comemorar o feito do pequeno índio, realizou-se uma grande festa, e Taine pôde se casar com a bela Aucana.
Inspirada em "A samaumeira que escurecia o mundo", coletada por professores ticunas no Livro das árvores.
Silvana Salerno. Qual é o seu norte?. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2012.
Texto-base:
TEXTO III
LAÇOS
Nando Reis (part. Ana Vilela)
Quem cuida com carinho de outra pessoa
Se importa com alguém que nem conheceria
Quem abre o coração e ama de verdade
Se doa simplesmente por humanidade
Se coloca no lugar do outro, sente empatia
Você que vai à luta e segue sempre em frente
Enfrenta os desafios que o destino traz
A vida é preciosa todo mundo sente
Afeto e compaixão a gente sempre entende
Máximo respeito a você que faz
Laços de ternura e aliança
Hão de ser a diferença
O impossível pode acontecer
Só amor é capaz de dar a vida
E encontrar uma saída
Pra esperança vir de novo a cada novo amanhecer
Fonte: https://www.letras.mus.br/nando-reis/lacos-part-ana-vilela/
A partir da análise dos textos I e III, pode-se afirmar que
I – os textos I e III são narrativas indígenas sobre perseverança e coragem.
II – o texto I narra a história do perseverante Taine.
III – o texto III trata também de perseverar frente às dificuldades.
IV – os textos I e III tratam de valores humanos.
V – os textos I e III descrevem ações heroicas concretas.
Assinale a alternativa que apresente as afirmações corretas.
Resolução comentada
Análise comparativa dos textos I e III.
São corretas II, III e IV. O texto I narra a persistência de Taine. A canção fala em ir à luta e enfrentar desafios, o que também é perseverança. Os dois textos tratam de valores humanos, como empatia, coragem e amor.
Análise das alternativas
I está errada, pois a canção não é uma narrativa indígena. V está errada, pois a canção não descreve ações heroicas concretas. Isso elimina A, C e E, e a letra D é a que reúne II, III e IV.
Referência: Interpretação e comparação de textos.
Resolução comentada do VaiConcursos.