Sem padrão de resposta — pratique a escrita
Texto-base:
Directions: Answer questions 01 to 16 according to the text.
TEXT
When making a decision, it is a common impulse
to look and see what others are doing. Nevertheless, it is
often unclear whether the path that everyone else may
be following is good for us as well. After all, sometimes
5 following the crowd has merit - at other times, it is simply
peer pressure blinding us.
The phenomenon of looking to others and
following the crowd _______ by social science for a long
time. Nevertheless, those findings do not always make
10 their way to individual decision-makers. Therefore, let’s
review why people conform to the crowd – and under
what conditions it is a god idea to go your own way
instead.
To start, individuals tend to look to the opinions of
15 others, especially when they are unsure and lack
information from other sources. This dynamic was
supported by classic research from Sherif (1937), who
explored how a person’s perception of a very ambiguous
stimuli can be influenced by the opinion of others. Sherif
20 (1937) asked participants to watch a small light in a dark
and featureless room and evaluate how much that light
moved around. In actuality, however, the light never
moved at all – but the way our perception works in that
situation gives the possible illusion of movement (called
25 the Autokinetic Effect). In this uncertain and ambiguous
perceptual situation, Sherif (1937) found that individuals
were quite susceptible to the influence of the opinions of
others when trying to decide how much light was
“moving”.
30 Unfortunately, this phenomenon also extends to
individuals following the crowd, even when they can
clearly see that others are wrong. This was first
evaluated by Asch (1955), who asked participants to
pick a line from a few choices of varying lengths that
35 matched up with another example line given to them.
From a perceptual standpoint, the task was easy – as
the correct choice of which lines were actually similar to
one another was clear. Nevertheless, when participants
were surrounded by other individuals giving the wrong
40 answer, they often conformed and made the wrong
choice as well. Thus, even when the correct choice is
clear, and what others are doing is wrong, that peer
pressure can still cause us to doubt ourselves and follow
the crowd.
45 Why is it that we are so compelled to follow the
crowd, even when it is objectively clear that they are
wrong? According to more recent research, we may
simply be wired that way. Specifically, these social
influences can actually change our perceptions and
50 memories (Edelson, Sharot, Dolan, & Dudai, 2011).
Therefore, rather than knowingly making the wrong
choice just to conform to peer pressure, the influence of
others may actually change what we see as the correct
choice in the moment and remember as the right thing
55 after the fact. Beyond that, we might just have “herding
brains” with built-in components that monitor our social
alignments and make us feel good when we follow the
crowd too (Shamay-Tsoory, Saporta, Marton-Alper, &
Gvirts, 2019).
60 Fortunately, this effect has good points as well. In
many cases, group decision-making can help individuals
look beyond their own private perspectives and make
more rational decisions (Fahr & Irlenbusch, 2011).
Furthermore, pro-social and altruistic behaviors can be
65 influenced and shared through such conformity as well
(Nook, Ong, Morelli, Mitchell, & Zaki, 2016). Therefore,
sometimes following the crowd helps people get along
and make better decisions too.
Given the above, when making a decision, it is
70 important to consider whether following others is a good
idea – or is leading you astray instead. Some simple
steps can help you figure it out.
Getting swept away by what everyone else is
doing is often an emotional and thoughtless process. We
75 are conforming simply because we have not given
sufficient attention and effort toward considering any
other options. Therefore, unless you are in an
emergency situation and need to immediately follow
everyone else toward the nearest exit, it might be a good
80 idea to switch to more deliberate thinking processes,
rather than just going with your initial reaction.
Some choices and decision-making situations
are more individual, while others are more social.
Therefore, it is important to consider the specific
85 situation. Is this an individual choice, or does it involve
others? If you have sufficient information to make a clear
choice on your own, and you do not need group
approval, then you might want to make up your own
mind. If you are personally unsure, or you need the
90 support of others to make something happen, then
taking the opinion of others into consideration might be a
good idea instead.
It is generally a good idea to evaluate your
choices and decisions from multiple perspectives. The
95 same is true for following the opinion of others too.
Although it might not feel that way at times, especially in
the modern day of media coverage and social
networking, everyone is not doing it – whatever “it” is
that you are considering. Given that, before you follow
100 the advice or choices of any particular group of people, it
might be a good idea to look at what other groups of
people are doing or choosing too. In addition, we can
learn a lot from people making choices contrary to
ourselves or our preferred group, particularly about
105 potential down-sides to choices we might not be seeing.
Therefore, if you do need to look to others to help
provide information regarding a particular choice or
decision, then it might help to seek out people with a few
different opinions, weigh your options among them, and
110 figure out what will work best for you.
(Adapted from https://www.psychologytoday.com. Access on March 25th, 2021)
TEXTO I
O HOMEM CORDIAL
Marco A Rossi
É de 1936 o livro “Raízes do Brasil”, do historiador
Sérgio Buarque de Holanda. Nele está contida a ideia de
“homem cordial”, uma das maiores contribuições já
realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros.
5 O “homem cordial”, resultado de um cruzamento entre a
cultura colonial e o improviso de um país para sempre
inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário; adora
obter vantagens em tudo, detesta regras, vive em busca de
atalhos favoráveis; não vê problema no que faz de errado,
10 embora seja raivoso na hora de apontar os erros dos
outros. Variação muito mal-humorada de um tipo único de
homo brasiliensis, o “homem cordial” é avesso ao esforço
metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a
moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo
15 que deseja. Adepto do “curtir a vida adoidado”, o homo
brasiliensis encarnado no “homem cordial” sofre muito
diante de compromissos que exijam dispêndio de energia e
tempo – na cultura humana do juro, opta sempre por curtir
hoje e pagar amanhã, em vez de investir agora para
20 saborear depois por tempo indeterminado e mais tranquilo.
A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética
como parâmetro para a tomada de decisões, o antever dos
desdobramentos de sua ação sobre a vida e o planeta, o
incentivo ao fortalecimento de instituições públicas e
25 sociais, nada disso agrada ao “homem cordial”, que não
esconde amar o familiarismo nas relações sociais, as
regras particulares, a moral privada, o “salve-se quem-
puder”, o apelo a saídas pessoais diante de problemas e
questões que são, de superfície e de fundo, coletivas. Em
30 1936, Sérgio Buarque de Holanda apontava esses traços
culturais brasileiros como uma barreira intransponível para
a democracia. E hoje? Creio que a atualidade da ideia de
“homem cordial” salta aos olhos de quem observa com
interesse o país. Resta saber o tamanho desse malfazejo
35 espólio.
(Fonte: Marco. A .Rossi. Acesso 10/01/2013 às 12:30 p.m http://travessia21.blogspot.com.br/2013/01/o-homem-cordial.html.)
TEXTO II
A VERDADEIRA LEI DE GÉRSON
Raul Marinho Gregorin
Você se lembra daquele célebre comercial do
cigarro Vila Rica, onde nosso tricampeão Gérson falava
a famosa frase: “...Porque você tem que levar
vantagem em tudo, cerrrto?”. A frase teve tanto
5 impacto que acabou sendo criada a “Lei de Gérson”, que
simboliza o oportunismo e a falta de escrúpulos típicas de
uma grande parcela de nossa sociedade. (...)
Concordo que nossa postura oportunista
realmente contribui para nos manter neste estado de
10 atraso econômico e cultural em que vivemos. Só que a
“Lei de Gérson”, na verdade é muito mais antiga que o
próprio. No excelente livro “Mauá, Empresário do
império”, de Jorge Caldeira (Ed. Companhia das Letras),
percebe-se que há quase duzentos anos atrás esta lei já
15 era cumprida. Aliás, essa deve ser a lei mais antiga do
Brasil, pois desde as capitanias hereditárias nossa
história é pontilhada de exemplos de oportunismo e falta
de escrúpulos. A própria escravidão não deixa de ser
uma mostra do viés ético de nossa sociedade desde
20 tempos imemoriais, mas isso já é outra história.
Eu não conheço a biografia do Gérson, muito
menos do publicitário que criou a frase e o comercial do
Vila Rica. Mas acho muito improvável que o Gérson real
seja um oportunista sanguinário como ficou sendo sua
25 imagem. Nem acredito que o diretor de criação da
agência poderia imaginar que esta frase seria usada mais
de vinte anos depois para designar esta nossa
característica.
Nossa língua é ferina. Quando a Volkswagen
30 lançou o Fusca com teto solar no final da década de ‘60’,
as vendas despencaram depois que passou a ter a
conotação de “carro de chifrudo”. A VASP na década de
70 criou um voo noturno ligando São Paulo ao Guarujá
para atender aos executivos que deixavam suas famílias
35 no balneáreo e passavam a semana trabalhando na
capital. O nome do voo era “Corujão” devido ao horário.
Não demorou muito, o voo passou a ser apelidado de
“Cornudão”, pelo fato das esposas ficarem na praia
enquanto os maridos ficavam na cidade. A VASP teve
40 que cancelar a linha por falta de passageiros.
E óbvio que a VW tinha introduzido o teto solar
baseado no fato do Brasil ser um país quente e
ensolarado, perfeito para aquele opcional. Só que o
consumidor preferia ficar passando calor a ser visto
45 dirigindo um carro com um buraco no teto para “deixar os
chifres de fora”. O voo corujão era perfeito,
especialmente na época em que não havia Piaçaguera e,
para chegar ao Guarujá de carro na alta temporada, o
motorista tinha que enfrentar horas de fila na balsa. Mas
50 era melhor demorar oito ou dez horas de carro do que ir
de avião, em meia hora, num voo chamado “Cornudão”...
Com o comercial do Gérson foi a mesma coisa.
Levar vantagem em tudo não significa que os outros tem
que levar desvantagem. O oportunismo foi incorporado à
55 frase por quem a leu/ouviu, não por quem a
escreveu/disse. O problema é que passou a ficar (para
usar um conceito atual) “politicamente incorreto” levar
vantagem em alguma coisa.
Na verdade, parece que nossa sociedade se
60 divide em dois grandes blocos: um que leva vantagem
em tudo (no sentido pejorativo) e outro que não pode
levar vantagem em nada. Acontece que dá para levar
vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam
em desvantagem. Você não precisa esmagar a outra
65 parte para sair ganhando.
(http://www.geocities.ws/cp_adhemar/leidegerson.html. Acesso em: 10 abril 2017. Texto revisado conforme a nova ortografia.)
TEXTO III
Observe a seguir um dos cartazes da campanha publicitária sobre o cigarro Vila Rica – que circulou no Brasil na década de 1970 – e deu origem à chamada Lei de Gérson, conforme citado no 1º parágrafo do texto II. O personagem do cartaz é o jogador de futebol Gérson, já citado também no texto II.

TEXTO IV

PROVA DE REDAÇÃO
Com base nos textos contidos nesta prova, bem como no seu conhecimento de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo, em prosa, posicionando-se sobre a seguinte afirmação de Raul Marinho Gregorin:
“Acontece que dá para levar vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam em desvantagem.”
Directions: Answer questions 01 to 16 according to the text.
TEXT
When making a decision, it is a common impulse
to look and see what others are doing. Nevertheless, it is
often unclear whether the path that everyone else may
be following is good for us as well. After all, sometimes
5 following the crowd has merit - at other times, it is simply
peer pressure blinding us.
The phenomenon of looking to others and
following the crowd _______ by social science for a long
time. Nevertheless, those findings do not always make
10 their way to individual decision-makers. Therefore, let’s
review why people conform to the crowd – and under
what conditions it is a god idea to go your own way
instead.
To start, individuals tend to look to the opinions of
15 others, especially when they are unsure and lack
information from other sources. This dynamic was
supported by classic research from Sherif (1937), who
explored how a person’s perception of a very ambiguous
stimuli can be influenced by the opinion of others. Sherif
20 (1937) asked participants to watch a small light in a dark
and featureless room and evaluate how much that light
moved around. In actuality, however, the light never
moved at all – but the way our perception works in that
situation gives the possible illusion of movement (called
25 the Autokinetic Effect). In this uncertain and ambiguous
perceptual situation, Sherif (1937) found that individuals
were quite susceptible to the influence of the opinions of
others when trying to decide how much light was
“moving”.
30 Unfortunately, this phenomenon also extends to
individuals following the crowd, even when they can
clearly see that others are wrong. This was first
evaluated by Asch (1955), who asked participants to
pick a line from a few choices of varying lengths that
35 matched up with another example line given to them.
From a perceptual standpoint, the task was easy – as
the correct choice of which lines were actually similar to
one another was clear. Nevertheless, when participants
were surrounded by other individuals giving the wrong
40 answer, they often conformed and made the wrong
choice as well. Thus, even when the correct choice is
clear, and what others are doing is wrong, that peer
pressure can still cause us to doubt ourselves and follow
the crowd.
45 Why is it that we are so compelled to follow the
crowd, even when it is objectively clear that they are
wrong? According to more recent research, we may
simply be wired that way. Specifically, these social
influences can actually change our perceptions and
50 memories (Edelson, Sharot, Dolan, & Dudai, 2011).
Therefore, rather than knowingly making the wrong
choice just to conform to peer pressure, the influence of
others may actually change what we see as the correct
choice in the moment and remember as the right thing
55 after the fact. Beyond that, we might just have “herding
brains” with built-in components that monitor our social
alignments and make us feel good when we follow the
crowd too (Shamay-Tsoory, Saporta, Marton-Alper, &
Gvirts, 2019).
60 Fortunately, this effect has good points as well. In
many cases, group decision-making can help individuals
look beyond their own private perspectives and make
more rational decisions (Fahr & Irlenbusch, 2011).
Furthermore, pro-social and altruistic behaviors can be
65 influenced and shared through such conformity as well
(Nook, Ong, Morelli, Mitchell, & Zaki, 2016). Therefore,
sometimes following the crowd helps people get along
and make better decisions too.
Given the above, when making a decision, it is
70 important to consider whether following others is a good
idea – or is leading you astray instead. Some simple
steps can help you figure it out.
Getting swept away by what everyone else is
doing is often an emotional and thoughtless process. We
75 are conforming simply because we have not given
sufficient attention and effort toward considering any
other options. Therefore, unless you are in an
emergency situation and need to immediately follow
everyone else toward the nearest exit, it might be a good
80 idea to switch to more deliberate thinking processes,
rather than just going with your initial reaction.
Some choices and decision-making situations
are more individual, while others are more social.
Therefore, it is important to consider the specific
85 situation. Is this an individual choice, or does it involve
others? If you have sufficient information to make a clear
choice on your own, and you do not need group
approval, then you might want to make up your own
mind. If you are personally unsure, or you need the
90 support of others to make something happen, then
taking the opinion of others into consideration might be a
good idea instead.
It is generally a good idea to evaluate your
choices and decisions from multiple perspectives. The
95 same is true for following the opinion of others too.
Although it might not feel that way at times, especially in
the modern day of media coverage and social
networking, everyone is not doing it – whatever “it” is
that you are considering. Given that, before you follow
100 the advice or choices of any particular group of people, it
might be a good idea to look at what other groups of
people are doing or choosing too. In addition, we can
learn a lot from people making choices contrary to
ourselves or our preferred group, particularly about
105 potential down-sides to choices we might not be seeing.
Therefore, if you do need to look to others to help
provide information regarding a particular choice or
decision, then it might help to seek out people with a few
different opinions, weigh your options among them, and
110 figure out what will work best for you.
(Adapted from https://www.psychologytoday.com. Access on March 25th, 2021)
TEXTO I
O HOMEM CORDIAL
Marco A Rossi
É de 1936 o livro “Raízes do Brasil”, do historiador
Sérgio Buarque de Holanda. Nele está contida a ideia de
“homem cordial”, uma das maiores contribuições já
realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros.
5 O “homem cordial”, resultado de um cruzamento entre a
cultura colonial e o improviso de um país para sempre
inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário; adora
obter vantagens em tudo, detesta regras, vive em busca de
atalhos favoráveis; não vê problema no que faz de errado,
10 embora seja raivoso na hora de apontar os erros dos
outros. Variação muito mal-humorada de um tipo único de
homo brasiliensis, o “homem cordial” é avesso ao esforço
metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a
moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo
15 que deseja. Adepto do “curtir a vida adoidado”, o homo
brasiliensis encarnado no “homem cordial” sofre muito
diante de compromissos que exijam dispêndio de energia e
tempo – na cultura humana do juro, opta sempre por curtir
hoje e pagar amanhã, em vez de investir agora para
20 saborear depois por tempo indeterminado e mais tranquilo.
A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética
como parâmetro para a tomada de decisões, o antever dos
desdobramentos de sua ação sobre a vida e o planeta, o
incentivo ao fortalecimento de instituições públicas e
25 sociais, nada disso agrada ao “homem cordial”, que não
esconde amar o familiarismo nas relações sociais, as
regras particulares, a moral privada, o “salve-se quem-
puder”, o apelo a saídas pessoais diante de problemas e
questões que são, de superfície e de fundo, coletivas. Em
30 1936, Sérgio Buarque de Holanda apontava esses traços
culturais brasileiros como uma barreira intransponível para
a democracia. E hoje? Creio que a atualidade da ideia de
“homem cordial” salta aos olhos de quem observa com
interesse o país. Resta saber o tamanho desse malfazejo
35 espólio.
(Fonte: Marco. A .Rossi. Acesso 10/01/2013 às 12:30 p.m http://travessia21.blogspot.com.br/2013/01/o-homem-cordial.html.)
TEXTO II
A VERDADEIRA LEI DE GÉRSON
Raul Marinho Gregorin
Você se lembra daquele célebre comercial do
cigarro Vila Rica, onde nosso tricampeão Gérson falava
a famosa frase: “...Porque você tem que levar
vantagem em tudo, cerrrto?”. A frase teve tanto
5 impacto que acabou sendo criada a “Lei de Gérson”, que
simboliza o oportunismo e a falta de escrúpulos típicas de
uma grande parcela de nossa sociedade. (...)
Concordo que nossa postura oportunista
realmente contribui para nos manter neste estado de
10 atraso econômico e cultural em que vivemos. Só que a
“Lei de Gérson”, na verdade é muito mais antiga que o
próprio. No excelente livro “Mauá, Empresário do
império”, de Jorge Caldeira (Ed. Companhia das Letras),
percebe-se que há quase duzentos anos atrás esta lei já
15 era cumprida. Aliás, essa deve ser a lei mais antiga do
Brasil, pois desde as capitanias hereditárias nossa
história é pontilhada de exemplos de oportunismo e falta
de escrúpulos. A própria escravidão não deixa de ser
uma mostra do viés ético de nossa sociedade desde
20 tempos imemoriais, mas isso já é outra história.
Eu não conheço a biografia do Gérson, muito
menos do publicitário que criou a frase e o comercial do
Vila Rica. Mas acho muito improvável que o Gérson real
seja um oportunista sanguinário como ficou sendo sua
25 imagem. Nem acredito que o diretor de criação da
agência poderia imaginar que esta frase seria usada mais
de vinte anos depois para designar esta nossa
característica.
Nossa língua é ferina. Quando a Volkswagen
30 lançou o Fusca com teto solar no final da década de ‘60’,
as vendas despencaram depois que passou a ter a
conotação de “carro de chifrudo”. A VASP na década de
70 criou um voo noturno ligando São Paulo ao Guarujá
para atender aos executivos que deixavam suas famílias
35 no balneáreo e passavam a semana trabalhando na
capital. O nome do voo era “Corujão” devido ao horário.
Não demorou muito, o voo passou a ser apelidado de
“Cornudão”, pelo fato das esposas ficarem na praia
enquanto os maridos ficavam na cidade. A VASP teve
40 que cancelar a linha por falta de passageiros.
E óbvio que a VW tinha introduzido o teto solar
baseado no fato do Brasil ser um país quente e
ensolarado, perfeito para aquele opcional. Só que o
consumidor preferia ficar passando calor a ser visto
45 dirigindo um carro com um buraco no teto para “deixar os
chifres de fora”. O voo corujão era perfeito,
especialmente na época em que não havia Piaçaguera e,
para chegar ao Guarujá de carro na alta temporada, o
motorista tinha que enfrentar horas de fila na balsa. Mas
50 era melhor demorar oito ou dez horas de carro do que ir
de avião, em meia hora, num voo chamado “Cornudão”...
Com o comercial do Gérson foi a mesma coisa.
Levar vantagem em tudo não significa que os outros tem
que levar desvantagem. O oportunismo foi incorporado à
55 frase por quem a leu/ouviu, não por quem a
escreveu/disse. O problema é que passou a ficar (para
usar um conceito atual) “politicamente incorreto” levar
vantagem em alguma coisa.
Na verdade, parece que nossa sociedade se
60 divide em dois grandes blocos: um que leva vantagem
em tudo (no sentido pejorativo) e outro que não pode
levar vantagem em nada. Acontece que dá para levar
vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam
em desvantagem. Você não precisa esmagar a outra
65 parte para sair ganhando.
(http://www.geocities.ws/cp_adhemar/leidegerson.html. Acesso em: 10 abril 2017. Texto revisado conforme a nova ortografia.)
TEXTO III
Observe a seguir um dos cartazes da campanha publicitária sobre o cigarro Vila Rica – que circulou no Brasil na década de 1970 – e deu origem à chamada Lei de Gérson, conforme citado no 1º parágrafo do texto II. O personagem do cartaz é o jogador de futebol Gérson, já citado também no texto II.
TEXTO IV
PROVA DE REDAÇÃO
Com base nos textos contidos nesta prova, bem como no seu conhecimento de mundo, escreva um texto dissertativo-argumentativo, em prosa, posicionando-se sobre a seguinte afirmação de Raul Marinho Gregorin:
“Acontece que dá para levar vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam em desvantagem.”
Instruções:
• Considere os textos desta prova como motivadores e fonte de dados. Não os copie, sob pena de ter a redação zerada.
• A redação deverá conter no mínimo 100 (cem) palavras, considerando-se palavras todas aquelas pertencentes às classes gramaticais da Língua Portuguesa.
• Recomenda-se que a redação seja escrita em letra cursiva legível. Caso seja utilizada letra de forma (caixa alta), as letras maiúsculas deverão receber o devido realce.
• Utilize caneta de tinta preta ou azul.
• Dê um título à redação.
• Não assine a folha de redação.